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Os órgãos de comunicação social devem ter apoio público? Sim, mas...

O apoio público à comunicação social não é necessário para salvar uma profissão ou algumas empresas, mas porque sem ele a democracia está condenada. Mas sem autorregulação prévia, os apoios indiretos terão de estar disponíveis a todos, mesmo os que se dediquem ao que já fazem, de borla, as redes sociais. Será bom para as empresas de media, mas é indiferente para a democracia e para o jornalismo

A chegada à era digital teve efeitos avassaladores para a comunicação social. A imprensa ainda não conseguiu encontrar um modelo de negócio compatível com os custos que o jornalismo de qualidade tem. É neste contexto que um grupo de especialistas nomeado pela Comissão Europeia apresentou recentemente as suas conclusões sobre a melhor forma de promover o jornalismo de qualidade. Há várias coisas que me satisfazem nesta notícia: ter-se finalmente concluído que, mais do que a censura, a melhor forma de combater a mentira (acho que o nome rigoroso é este) é apostar no jornalismo de qualidade e ver o debate difícil mas necessário sobre o financiamento público da comunicação social chegar finalmente à Europa.

Há alguns pressupostos prévios. O primeiro é que as redes sociais vieram demonstrar que a democracia não sobrevive ao fim da intermediação. Porque ela própria é uma forma de intermediação. O instrumento de intermediação na recolha e divulgação de informação é o jornalismo, com as suas regras, códigos, métodos e corpo profissional. As redes sociais e o chamado “jornalismo cidadão” não podem subsistir o jornalismo de qualidade porque não podem, de forma eficaz, estar sujeitos às mesmas regras. O segundo pressuposto é que não há jornalismo livre se não for autossustentável. Grupos de comunicação social economicamente frágeis correspondem a órgãos de comunicação social mais sensíveis a todas as pressões, sobretudo às que vêm do poder económico. Jornais com menos recursos fazem menos investigação, que custa dinheiro, e mais sensacionalismo, que garante lucro imediato sem grande investimento. Jornalistas mais precários e proletarizados são menos autónomos e terão mais dificuldade em dizer que não a uma ordem que viole a sua independência e deontologia. Assim sendo, se os órgãos de comunicação não são sustentáveis e precisamos deles, temos de encontrar instrumentos relativamente neutros que lhes garantam a liberdade perdida.

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