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Passos no ISCSP: legal, corriqueiro, legítimo e compreensivelmente incómodo

A contratação de Passos Coelho como professor convidado do ISCSP com salário equiparado a catedrático não é nem irregular nem descabida. O Estatuto da Carreira Docente Universitária permite-o, é corriqueiro por esse mundo fora e não é uma novidade no ISCSP. Mas, para além de críticas motivadas por razões políticas ou por arrogância cultural, algum incómodo resulta da origem e do contexto deste convite que merecem ser discutidos

Pedro Passos Coelho foi contratado como professor convidado do Instituto de Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP) com remuneração equiparada a professor catedrático, que é o topo da carreira. E dividirá o tempo com três instituições académicas. Hesitei muito em escrever sobre o assunto. Primeiro, porque não são este os temas que me entusiasmam. A demagogia é demasiado fácil. Depois, porque eu próprio já fui vítima de um ataque de quem pura e simplesmente desconhece os mecanismos, claramente expressos em regras escritas, que permitem alguma porosidade à universidade. Não perderei tempo com o meu caso, DEIXO O LINK para quem o quiser conhecer. Recordo-me de, na altura, o senhor Camilo Lourenço ter partilhado, indignado, uma notícia nojenta do “Correio da Manhã”, chamando de “vergonha” o que era absolutamente normal. Isso não o impede de vir agora defender Passos Coelho, jurando que faria o mesmo em defesa Costa ou Centeno. Pois. Seja como for, se criticasse o primeiro-ministro seria injustamente acusado de incoerência, se o defendesse seria acusado de parcialidade. Ainda assim, acho que há coisas interessantes a discutir a partir deste caso.

A snobeira de alguma esquerda – que tem na carreira académica uma visão quase nobiliárquica – e a sonsice de alguma direita – que rasgou as vestes para reagir a um escândalo que nem sequer existiu, depois de anos de tentativa de socratização moral de toda a esquerda – leva-me a ir ao assunto. Acho que a maioria das criticas são descabidas mas, ao contrário de muitos colunistas que têm escrito sobre o assunto sem perceber que ambiente se vive hoje na academia, consigo compreender parte da indignação.

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