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A democracia é o espaço da diversidade, não da uniformização

Talvez a proposta de proibir a circuncisão masculina na Islândia permita começar a discutir a total falta de bom-senso com que algum discurso político trata o fenómeno religioso

A proposta do Partido do Progresso islandês (centro-direita) de proibir a circuncisão (punindo-a com pena de prisão até seis anos), em defesa dos direitos da criança, causou algum alvoroço entre judeus, muçulmanos e até, por solidariedade, cristãos nórdicos. O argumento dos proponentes é que a religião não se pode sobrepor aos direitos da criança. O debate pode ser refrescante. Como as pessoas preconceituosas mas com uma réstia de memória histórica têm mais cautela quando falam de judeus do que quando falam de muçulmanos, talvez este caso permita fazer uma discussão mais séria sobre os limites na relação do Estado e da lei com as tradições religiosas sem que outras agendas políticas se intrometam.

Antes de mais, o debate prático. A circuncisão é uma cirurgia simples que, desde que feita com as cautelas devidas, não representa qualquer violação dos direitos das crianças. Ela é, aliás, muitas vezes realizada por razões de saúde que não podem ser consideradas de força maior. Há até médicos que a consideram recomendável. Do que percebi, os proponentes da lei fazem um paralelo com a mutilação genital feminina. Além das complicações físicas futuras serem incomparáveis, ela tem forte probabilidade de amputar a mulher da possibilidade da sua plenitude sexual. Colocar as duas coisas no mesmo plano é absurdo.

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