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A concorrência social na Filipa de Lencastre e no Pedro Nunes

Os que enganam o sistema apenas querem que os seus filhos estejam na parte vencedora dessa seleção. O que se está a passar nestas duas escolas é o acentuar da sonhada concorrência, defendida pelos obreiros dos rankings. Neste mundo onde se vence e perde logo no berço vale tudo menos arrancar olhos

Na zona onde vivo há uma escola que tem fama de ser boa. Não sei se é, mas está bem colocada nos rankings. Não sei se é, mas faz claramente seleção social e de qualidade dos alunos que aceita e isso talvez a ajude a ficar bem colocada nos rankings. Sei que os moradores da minha zona com filhos em idade escolar lançaram um protesto: no agrupamento da Filipa de Lencastre, que vai do pré-escolar (dizem que excelente) ao 12º ano, muitos alunos inscritos não são da área de residência. Ao que parece, reina a cunha para lá entrar. A queixa seguiu para a Inspeção Geral de Educação e Ciência e só no jardim de infância e na escola do 1º ciclo já encontraram 10 alunos com inscrição irregular. Há, segundo o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, quem até receba dinheiro para se declarar encarregado da educação.

A forma de fazer a coisa é conhecida de todos e por isso os queixosos pediram uma informação: quantos alunos tinham encarregados de educação que não fossem os pais? Não porque os menores não possam ter outros encarregados de educação para além dos pais, mas porque todos sabem que este é um esquema habitual, nas cidades grandes, para aldrabar o Estado. Há até quem tenha mais de dez educandos a seu cargo sem, apesar de tamanha generosidade, pôr os pés na escola. As escolas sabem, até porque muitas vezes são os pais a comparecer nas reuniões. As escolas ajudam à aldrabice porque isso lhes dá o poder de escolher os alunos. Para mudarem as coisas os pais exigem que o primeiro critério de escolha seja a morada oficial dos alunos, que está registada e não merece disputa, e só depois a dos encarregados de educação, reais ou fictícios. Parece-me bem.

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