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O SIRESP queima o bloco central

O SIRESP é uma história do bloco central que queima todos os que lhe tocaram ou não fizeram o que tinha de ser feito. Mas que não se reescreva a história transformando os protagonistas em atores secundários deste escândalo e escolhendo à medida das conveniências políticas os culpados e os absolvidos

“O Dr. Daniel Sanches assinou um papel. Por acaso, a única coisa que lhe disse, quando ele se foi despedir, porque ia para ministro, foi isto: ‘Eu lamento que o senhor vá para ministro, mas há uma coisa que lhe garanto: há lá um problema nosso para resolver e se, alguma vez, alguém lhe disser que lhe pedi para assinar aquilo, o senhor não aceite, porque não é verdade. Eu não peço agora e jamais lhe pedirei que faça alguma coisa por esse processo’.” É assim, como se cita no trabalho de Paulo Pena, no "Público", que Oliveira Costa conta como se assinou mais uma Parceria Publico-Privado ruinosa para o Estado. Daniel Sanches, ministro da Administração Interna do governo de Santana Lopes e ex-quadro do BPN, assinou a aquisição do SIRESP, da responsabilidade de um consórcio de que fazia parte a SLN, três dias depois das eleições legislativas de 2005. A coisa custava 540 milhões ao Estado apesar da SLN não ter gasto, soubemos depois, mais do que 80 milhões com ela.

Quando chegou ao Ministério da Administração Interna, António Costa tinha à sua espera um dossier que começara com Guterres, continuara com Durão e se consumara, de forma ruinosa, com Santana. O assunto era tóxico e já tinha ganho contornos de escândalo nacional. O negócio foi anulado mas, em vez de começar da estaca zero, Costa preferiu renegociar o que parecia ser (e provavelmente era) irrenegociavel. Abateu-se no preço (pouco) e, para o fazer, abateu-se no serviço. O SIRESP foi sempre notícia por más razões e nem por isso alguém fez fosse o que fosse para mudar essa situação. Incluindo Costa e incluindo, como é evidente, o último governo. Se o SIRESP não funciona agora também não terá funcionado nos últimos cinco anos. E o jogo de Passos Coelho, que garante que até deixou “procedimentos concursais” preparados para outros fazer o que ele devia ter feito, não lhe dá grande espaço de manobra. O SIRESP é uma história do bloco central que queima todos os que lhe tocaram e não fizeram o que tinha de ser feito.

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