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Comissão Técnica: pouco Estado, muita personalidade

Não precisamos de mais senadores, comendadores, figuras de reconhecido mérito público, precisamos de organismos públicos que construam a sua credibilidade com base no seu trabalho e não na popularidade mediática dos seus líderes

Houve um tempo de luto perante os mortos de Pedrógão Grande que muitos, na pressa de serem os primeiros a dizer qualquer coisa relevante, não conseguiram respeitar. Houve um tempo em que se falou da nossa política florestal. Mas o assunto é maçudo e não vende bem. E desagradável para o pensamento dominante, porque distribui responsabilidades entre o Estado e os privados. E como sabemos, os privados só têm direito à propriedade, não têm o dever de a cuidar. Agora chegou, como tinha de chegar, o tempo das responsabilidades. Para as apurar foi criada uma comissão técnica independente, como muitos exigiam. Ainda ela não existia e já o tribunal mediático explicava que não servia para nada. Que era uma maneira dos políticos lavarem as mãos. O que quer dizer que muitos jornalistas e colunistas se acham aptos a determinarem o que falhou, substituindo os mecanismos públicos de controlo e os meios técnicos.

A principal acusação que tem sido feita a Constança Urbano de Sousa é a de ser responsável pela descoordenação dos serviços e instituições que tutela no combate aos fogos. Pelo que sabemos do que se passou no terreno a crítica pode ser justa e custar-lhe o lugar. Mas essa imagem foi acentuada pela luta pública entre corporações: Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna, Proteção Civil, bombeiros e outros organismos. A luta propriamente dita não nos diz nada de especial. É assim que as coisas acontecem em todas as organizações públicas ou privadas onde existam seres humanos: quando as coisas correm realmente mal cada um tenta empurrar a culpa para o departamento ou serviço do lado. E é assim, aliás, que geralmente se consegue saber o que aconteceu. Lá diz o povo que se zangam as comadres e descobrem-se as verdades.

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