Siga-nos

Perfil

Expresso

Agora, o silêncio

Precisamos de responsabilidades e de consequências. Precisamos de ordem. Mas há um tempo para todas as coisas. Este é o tempo dos mortos. Porque precisamos disso e estamos a deixar de saber fazê-lo, sempre com a pressa de sermos os primeiros a dizer qualquer coisa relevante

O colunista tem de escrever. O silêncio não é a sua profissão. Mas se o colunista não faz do seu estilo a estetização do terror e da morte, se o colunista procura mais a secura das palavras no meio da tragédia, se não procura o seu lugar entre as carpideiras e prefere a comoção discreta e solitária, resta-lhe pouco para escrever. Morreram 64 pessoas. É impossível imaginar o terror de cada uma delas. E nós pensamos nisso até porque pensamos no terror que sentiremos quando chegar a nossa hora.

O colunista, o jornalista, todos os que contam o que acontece, comentam o que acontece, se indignam com o que acontece, precisam de dar ordem à desordem. Precisam de acreditar que podia ser diferente. Que a mão do homem poderia ter travado a violência da natureza. Claro que podia, nem que fosse um pouco. Podia ser diferente a política de florestas, podíamos estar a travar as razões para as alterações climáticas, até podíamos mudar algumas coisas nos combates aos fogos. Mas é cedo. E seguramente é cedo para pedir a demissão de ministros com base em estados de alma. Ainda há pessoas que põem a sua vida em risco para combater aquele mesmo fogo. Ainda se contam os cadáveres. Ainda há famílias que não enterraram os seus. Ainda há tudo antes do que tem de vir depois.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)