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Geringonça: quem não arrisca não petisca

Bloco e PCP escolheram o mal menor e protegeram-se dos seus efeitos. O resultado foi que, se tudo correr bem, também ficarão de fora das consequências políticas do sucesso. E se tudo der para torto pagarão a factura na mesma

Em entrevista ao jornal “I”, Marisa Matias constatou o que as sondagens nos dizem: que o grande benificiário eleitoral da geringonça está a ser o Partido Socialista. É natural que assim seja: praticamente esgotado o acordo entre o PS e cada um dos partidos que lhe garante uma maioria parlamentar, todos os ganhos para BE e PCP só podem resultar de minicrises políticas, com ameaças de não aprovação de leis ou do Orçamento. Em vez de se transformarem em forças de conquista, têm de se comportar como forças de bloqueio. Isso até poderia correr bem quando este governo era visto como um mal menor, uma forma do país se livrar de Passos Coelho. Mas é pouco útil quando a maioria do país está satisfeito com o governo.

É evidente que bloquistas e comunistas poderão continuar a fazer um discurso com base factual comprovada: que este governo seria muito diferente se não dependesse deles. Mas é uma mensagem fraca. Desde o primeiro dia que defendo que Bloco e PCP deviam ter entrado para o governo. Razões históricas profundas e sérias (com o PS), assim como rivalidades infantis (entre BE e PCP), impediram esta opção. Isso e a Europa. O bloqueio foi bem explicado por Marisa Marias, na tal entrevista: “Acho que a destruição económica e social do país foi tão grande que, mesmo havendo uma divergência política grande dos partidos que compõem a geringonça em relação à UE, há margem de manobra suficiente para se poder melhorar a vida das pessoas. No entanto, acho que não se consegue evitar a questão europeia muito mais tempo.” A margem de manobra permite os acordos que foram assinados, não permite um governo comum que teria de negociar com a UE numa posição incoerente e impossível de gerir. E sobretudo, morreria (e morrerá) no primeiro embate sério com Bruxelas.

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