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Trump descobre que o Estado não é a sua empresa

Por defeito de ofício, os empresários dão, em geral, péssimos políticos. Porque não compreendem que uma parte significativa do trabalho de um político é a autocontenção do seu próprio poder

Uma das coisas que me impressionou quando estive na convenção republicana, em Cleveland, foi perceber a quantidade de apoiantes (e até não apoiantes) de Donald Trump que valorizavam o facto dele ser um empresário e um milionário. A lógica era esta: quem consegue gerir milhões e criar empregos consegue gerir um País. No caso, a lógica chocava com o facto de Trump ser apenas um herdeiro. Mas o relevante é que a forte adesão que a cultura norte-americana tem ao capitalismo faz uma ligação direta entre política e negócios. É comum, na ética política do nosso tempo, e mesmo fora dos EUA, encontrar este tipo de confusão entre gestão da coisa pública e gestão empresarial e olhar para os empresários como exemplos de liderança e isso contribuiu para a eleição de Trump. O desprezo pelo papel do Estado e a aceitação do domínio do poder económico sobre o poder político ajudam a este discurso.

É verdade que Donald Trump parece ser uma pessoa com graves limitações sociais e cognitivas. Que faz coisas que qualquer pessoa minimamente informada sabe que estão interditas a um responsável político. E fá-lo sem parecer ter a mínima consciência de que são absurdas. É óbvio que não tem a mais pálida ideia do que quer fazer e que parece apostado em sabotar a sua própria presidência. Mas há mais do que isso. Há uma forma de se comportar que tem tudo a ver com o que ele foi toda a vida e é incompatível com que ele é hoje.

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