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Depois de Hollande, Schulz é esperança

Mesmo que os europeístas o lamentem, só há democracias nacionais. No fim, os eleitores das maiores potências elegem quem garante que os seus interesses serão impostos, única forma de continuarem a aceitar pertencer à União

O otimismo dos europeístas de esquerda tem uma característica fundamental: a impressionante e perseverante resistência à realidade. Sabem e não negam que a União Europeia passou de um instrumento de defesa do modelo social europeu, de convergência económica e social entre Estados e de reforço das democracias para o seu exato oposto: uma forma de impor “reformas estruturais” que liberalizem a economia e o mercado de trabalho; a aplicação das regras de concorrência aos serviços público; a divergência económica e política entre Estados; e a transferência de poderes que eram exclusivo de eleitos para burocratas que ninguém controla e que estão ainda mais sujeitos à pressão do poder económico.

O euro foi a uma catástrofe económica quase sem precedentes para Portugal e para outras economias periféricas. Tudo pode ser matéria de opinião, incluindo a forma como podemos lidar com isto. Mas os desastrosos indicadores económicos desde o final dos anos 90 são matéria de facto. Poderá haver quem acredite que uma mudança na arquitetura do euro, que tem de passar pela mutualização da dívida, ou mesmo a aplicação de algumas regras existentes (a proibição de excedentes comerciais exagerados), poderia alterar a situação que vivemos. Sou dos que acham que estamos perante um pecado original: não faz sentido uma união monetária europeia sem uma união política, fiscal e social. E isso não passa de um vanguardismo sem qualquer apoio popular. O europeísmo tolerado pelos povos é mínimo, não é federalista. E têm toda razão para a cautela. Os Estados nacionais democráticos deram demasiado trabalho a construir para serem abandonados em nome de uma aventura que tem tudo para correr mal.

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