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O Papa do exemplo

Numa história carregada de contradições, o Papa Francisco escolheu, nas muitas igrejas que há na Igreja, a Igreja libertadora à Igreja castigadora, a Igreja dos pobres à Igreja do poder

Não há discurso profético sem o exemplo. E o anúncio do exemplo começou logo na escolha do nome “Francisco”, apesar de Jorge Bergoglio ser um jesuíta. Prometia a devolução da Igreja aos pobres. E continuou com a dispensa de mordomias e luxos, do fausto do poder incompatível com a mensagem cristã. Não deixa de ser interessante que, não sendo a Igreja Católica uma instituição democrática (nenhuma igreja o é), o Papa tenha percebido que a adesão popular à sua liderança era indispensável para reformar e purificar a Igreja. De tal forma que, num tempo de desconfiança nas instituições democráticas, ele consegue concentrar em si a simpatia que falta aos líderes políticos. Fosse Bergoglio um verdadeiro político e poderia ser acusado de “populismo”, como está na moda escrever-se. E será, se isso apenas implicar responder, como é suposto a Igreja fazer, ao sofrimento dos mais pobres e abandonados. Não apenas através do trabalho social, mas através de gestos, imagens, símbolos.

O Papa Bento XVI assinalou a crise da Igreja no Ocidente como um dos principais desafios do seu pontificado. Ele foi curto, mas a sua interrupção em vida, por decisão do próprio, foi um sinal de uma mudança no Vaticano. A crise de fé no Ocidente tem razões profundas – culturais, sociais, económicas e políticas. Mas a verdade é que, enquanto as igrejas tradicionais perdem fieis, grupos religiosos mais direcionados à autoajuda individual ou culturalmente mais distantes de nós parecem não só resistir como crescer. Esta crise corresponde a uma mais geral, das instituições: do Estado, dos partidos, da ciência, da comunicação social, das igrejas. No seu lugar, cresce o cinismo, a descrença generalizada e o individualismo.

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  • Papa grava vídeo para os portugueses: “Preciso de vocês comigo”

    “Querido povo português, faltam poucos dias para a minha e vossa peregrinação até junto de Nossa Senhora de Fátima”. Assim começa a mensagem que o Papa Francisco dirigiu esta quarta-feira aos portugueses que aguardam com “feliz expectativa” a sua chegada a Fátima, dentro de dois dias, para o culminar de um “centenário de momentos abençoados”. Num vídeo de quatro minutos em que fala português, Francisco dirige-se aos seus anfitriões para elogiar tanto a “compreensão” das autoridades como a “intensa oração” dos fiéis: “Agradeço a vós as orações e sacrifícios que diariamente ofereceis por mim, e de que muito preciso, pois sou um pecador entre pecadores”