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Macron: Depois de engolir o sapo, fritar o sapo 

Nunca sabemos quando vivemos um marco histórico, mas suspeito que estas eleições, da primeira volta às legislativas, sejam um desses momentos: a mais significativa vitória do neoliberalismo na Europa. O momento em que a esquerda pode quase ser varrida do mapa político francês. Hoje, a esquerda que está aliviada é responsável. A que está feliz é suicida

O resultado de Le Pen foi tão baixo como as sondagens mais otimistas previram. Depois do Brexit e de Trump, o medo de uma vitória de Le Pen desafiava todas as evidências. Segundo os inquéritos conhecidos, mais de metade dos eleitores de Mélenchon votaram em Macron. Desses, mais de 70% declarou fazê-lo para derrotar Le Pen, uma percentagem mais alta do que os eleitores de qualquer outro campo político. Apenas um décimo votou em Le Pen. Mais de um quinto dos eleitores de Fillon, da direita conservadora, votou na candidata de extrema-direita. Ou seja, a histeria que se abateu sobre a esquerda nos últimos dias nada tinha a ver com a realidade no terreno.

A esquerda mobilizou-se para votar contra Le Pen mas qualquer equívoco sobre o que representa o novo presidente foi dissipada por Manuel Valls, o ex-primeiro-ministro que depois de derrotado nas primárias socialistas decidiu não acatar o resultado e apoiar Emmanuel Macron. Numa entrevista à rádio Europe1, ainda antes da segunda volta, Valls decretou a morte do partido de que queria ser candidato ainda há poucos meses: “Este é o fim de uma história que conhecemos bem”. Não explicou a decadência dos socialistas com o seu governo e a presidência de Hollande. Para ele, a razão da derrota socialista foi a oposta: “não fomos capazes de mudar o nosso nome, de mudar nossa natureza”. Sobre conversas à esquerda, não podia ser mais claro: “Alguns ainda esperam alianças com Mélenchon. Estamos numa aliança com ambientalistas que esperam aliar-se a Mélenchon. Há socialistas no PS que também esperam esta aliança. O que poderíamos fazer juntos? Nada. Estamos, é claro, no embate principal contra a extrema direita. Mas amanhã, quando for para governar, não teremos nada a fazer juntos.” O objetivo é claro: reduzir o PS à sua expressão presidencial, cortar qualquer ligação ao resto da esquerda e garantir a Macron uma plataforma maioritária ao centro - com ou sem o que sobre dos socialistas.

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