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Abaixo o capitalista da objetiva Alfredo Cunha! Nacionalização, já!

Qual propriedade privada, qual quê? Abaixo o imperialista da imagem, o capitalista da objetiva, que quer retirar ao povo trabalhador o usufruto livre das suas fotografias! Força camaradas, vamos esmagar este latifundiário! Contem comigo

A Juventude Popular (JP) usou uma fotografia da autoria de Alfredo Cunha. A famosa foto de Salgueiro Maia, que estará a dar voltas no caixão por saber que um partido que está nos seus antípodas políticos o usa como símbolo. É um dos problemas da construção de santos. Como Salgueiro Maia teve, depois do período revolucionário, um comportamento muito diferente de outros militares e cumpriu mesmo a promessa de regressar aos quartéis há uma enorme confusão sobre o seu perfil político. Que resulta de um facto simples: pelas suas extraordinárias características pessoais e por nunca ter querido nada da República, depois de tanto lhe dar, ele tronou-se o mais consensual herói de abril por exclusão de partes. Até ao ponto um pouco estranho de ver alguns saudosistas do 24 de abril (não me refiro sequer aos meninos do CDS) a socorrerem-se do exemplo ético de Salgueira Maia para atacarem a democracia.

Seja como for, os jovens do CDS têm todo o direito de usar o exemplo de Salgueiro Maia. Será uma figura mais fácil de vender à juventude do que Marcelo Caetano, António Spínola ou Jaime Neves, conforme as sensibilidades daquele partido. Salgueiro Maia é património de toda a democracia. O problema são mesmo os direitos patrimoniais do fotógrafo. Alfredo Cunha não gostou de ver a sua foto usada, alterada, recortada, virada ao contrário, pintada e usada sem créditos nem autorização. E ameaçou a JP com um processo judicial. O fotógrafo não queria dinheiro – não vende aquelas fotos –, mas exige a sua autorização, respeito pelo original e o devido crédito na foto. E deixa claro que não autorizaria para aquele fim. Salgueiro Maia é de todos, as fotos do Alfredo Cunha é que não. Chama-se direito de autor e parece que tem alguma coisa a ver com respeito pela propriedade privada.

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