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Nações, povos e democracias sucumbem à humilhação

Não existe Nação, Estado ou Povo sem símbolos em que se revejam. Nem sequer a democracia é possível sem uma determinada ideia que a comunidade tenha de si mesma. Ao exigir um pedido de desculpas a Dijsselbloem, Mourinho Félix representava um povo e uma história. Alguma coisa muito estranha aconteceu à direita nacional para serem pessoas de esquerda a explicar isto

No final da semana passada, o secretário de Estado Mourinho Félix foi a La Valletta, Malta, para participar numa reunião de ministros das Finanças da zona euro, em representação do ministro Mário Centeno. Lá, encontrou-se com o ministros das Finanças holandês, o homem que levou o seu partido dos 25% para os 6% e que ainda preside ao Eurogrupo. Cara a cara, Mourinho Félix disse, enquanto cumprimentava educadamente Jeroen Dijsselbloem, uma coisa simples: “Quero dizer-lhe que foi profundamente chocante aquilo que disse dos países que estiveram sob resgate. E gostaríamos que pedisse desculpas perante os ministros e a imprensa”. O holandês, visivelmente espantado com a enfrentamento, respondeu: “Eu vou dizer alguma coisa sobre isso… Mas a reação de Portugal também foi chocante...” Não obteve resposta.

Entretanto, gerou-se uma polémica sobre o facto da demissão de Dijsselbloem não ter sido pedida por ninguém. Nem tem de ser. O presidente do Eurogrupo não é escolhido pelos ministros das Finanças, é eleito pelo Conselho. Não é a Dijsselbloem que a demissão deve ser pedida. Desse, deve vir o pedido de desculpas. É aos chefes de Estado e de governo. E deve ser pedida pelo chefe de governo. António Costa, acompanhado pelos dois principais grupos políticos do Parlamento Europeu, já o tinham pedido. O facto do presidente do Eurogrupo achar que era ali, com ele e entre ministros, que a sua permanência no lugar devia ser debatida é sinal de uma razoável soberba.

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