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Costa sonha com uma geringonça decorativa

António Costa deseja, como ele próprio disse, a continuação da “geringonça”, mesmo que o PS tenha maioria absoluta. Quer sol na eira e chuva no nabal. As vantagens de não ter uma oposição à esquerda e as vantagens de não depender da esquerda

A “geringonça” entrou numa fase de normalização. Como já escrevi na terça-feira, os números da economia estão bem e não há qualquer razão para um desentendimento. Eles vão acontecer, mas sempre em torno de casos. Sempre que houver conciliação, a oposição (e respetivos comentadores) vai dizer ou que o Bloco e PCP meterem a viola no saco ou que têm o PS no bolso.

Mas os problemas, como também referi no texto, poderão vir quando os efeitos da dívida acumulada, agora com cada vez menor intervenção do BCE, se fizerem sentir. Quando o absurdo de estarmos numa moeda única em que cada um cuida de si voltarem a ser claros e a insustentabilidade da nossa dívida voltar a ser uma evidência. Aí, por melhor que corra a economia e por mais rigorosa e espartana que seja a política orçamental, voltaremos ao mesmo: como continuar a comprar dívida para pagar dívida? Como se percebeu pelos primeiros sinais de vida do grupo de trabalho sobre a reestruturação da dívida, governo e companheiros têm visões muito diferentes sobre o assunto. E esse assunto pode, se tudo começar a correr mal, ser o único que interessa. Até lá, e não antecipando problemas que até podem não vir a existir, António Costa deseja, como ele próprio disse, a continuação da “geringonça”, mesmo que o PS tenha maioria absoluta. O desejo é absolutamente natural. Por o que garante antes das eleições e o que propõe para depois.

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