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Angola e Portugal: não há reciprocidade possível

Não estou bem a ver como podem os dois governos “encontrar soluções para a situação que foi criada”. A não ser que a proposta seja alargar a contratação de magistrados por instituições bancárias, resolvendo o problema com a compra de todo o sistema judicial português, nada pode ser feito. Porque, veja-se bem o escândalo, onde existe um Estados de Direito há uma separação de poderes. Posso ser muito crítico em relação à forma como a operação Marquês tem sido conduzida, mas agradeço à democracia em que vivo o facto do poder político nada poder fazer para impedir esta ou qualquer outra investigação. E isso é o que distingue o governo português do governo angolano: um governa um Estado de Direito e o outro não. Nesta matéria, não há “reciprocidade” possível. E não temos de pedir desculpa por isso. Quanto muito, são os governantes de Angola que têm desculpas a pedir. Ao seu povo, por não lhes permitirem ter uma justiça independente. Depois, se se provarem as suspeitas que recaem sobre Manuel Vicente, ao povo português, por tentarem subornar a nossa

O vice-presidente do MPLA, ministro da Defesa de Angola e candidato a sucessor de José Eduardo dos Santos, João Lourenço, assumiu, em Maputo, que as relações entre o seu país e Portugal estavam frias. “Apenas frias”, explicou, como quem dá hipótese ao parceiro de consertar o mal que fez. “Estamos obrigados, os dois governos, a encontrar soluções para a situação que nos foi criada”, disse. Depois, passou a explicar a origem do problema: “Nas relações entre Estados deve haver reciprocidade. Nós nunca tratamos mal as autoridades portuguesas e por esta razão exigimos, de igual forma, respeito pelas principais entidades do Estado angolano.”

Tendo em conta que recai sobre Manuel Vicente a suspeita de ter corrompido um magistrado português, se há alguma razão para incómodo ela deveria surgir do Estado português. Se alguém pode vir a sentir-se maltratado é o Estado português. Se essa suspeita tiver fundamento, não é o Estado do vice-presidente que cometeu o crime que deve incomodar-se, é o Estado onde ele cometeu o crime que tem razão para manifestar desconforto.

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