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Megafones do terrorismo

Com um ou dois operacionais, uma preparação quase amadora e poucas vítimas, toda a comunicação social estará obrigada a horas de diretos e o poder político estará obrigado a valorizar cada ataque, garantindo uma relação custo-benefício muitíssimo positiva para os terroristas. Nem sequer precisam de elaborar um discurso sobre os seus atos. Theresa May, como os líderes dos países que anteriormente tiveram de lidar com este tipo de ataques, encarregou-se de fazer a tradução simbólica do ataque. Explicou a razão de ser da escolha daquele local, funcionando, de forma involuntária, como porta-voz dos atacantes. E, num gesto de solidariedade compreensível, a presidente da Câmara de Paris garantiu uma ligação coerente com os atentados na capital francesa, mandando desligar as luzes da Torre Eifel. Eles fazem os atentados com custos mínimos, nós tratamos do marketing, oferecendo-lhes ganhos máximos. Não sei como isto se resolve. Sei que somos nós o megafone do terror. Mesmo quando ele dá sinais crescentes de desespero e derrota

Cada vez que há um atentado no Ocidente – os únicos que têm direito a abrir telejornais – é suposto escrever sobre eles. Repetir o que já foi dito, fazer a análise que já foi feita, num processo de banalização cumulativa da indignação. Até a palavra “terror” já não querer dizer grande coisa. Confesso que dificilmente terei alguma coisa de novo para dizer sobre atentados. Mas tenho alguma coisa a dizer sobre a forma como lidados com eles.

Sem querer relativizar a tentativa de ataque ao parlamento de uma potência mundial (por sinal o mais antigo do mundo), este atentado é a confissão de uma derrota. Quando comparamos com outros atentados, como os de Nova Iorque, Madrid, Paris ou até o anterior, em Londres, podemos concluir que os atentados são cada vez menos sofisticados na sua preparação e cada vez menos espetaculares nos seus resultados. Cada vez mais parecem resultar da intervenção de “lobos solitários”, com pouca logística e quase nenhum apoio. São cada vez mais desesperados. Estes atentados pouco elaborados e apenas ambiciosos na escolha de locais simbólicos coincidem com a derrota do Daesh no terreno. E quanto mais derrotado for mais estes atentados, levados a cabo, em muitos casos, por pessoas sem ligação orgânica à organização, acontecerão.

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