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Teresa Leal Coelho, o pequeno mundo que sobrou a Passos

Teresa Leal Coelho não tem credibilidade junto do eleitorado. O único currículo de gestão que se lhe conhece foi na companhia de Vale de Azevedo e uma experiência infeliz no CCB. A sua experiência autárquica não abona em seu favor: segundo “Observador”, faltou a 91 das 153 sessões da Câmara de Lisboa. De resto, a sua principal característica política é fazer parte do pequeno núcleo que ainda rodeia Passos Coelho, que já quase se resume a duas ex-professoras de Universidade Lusíada, onde ele estudou. É tudo incrivelmente pequeno. Tão pequeno que Fernando Medina só terá de combater a abstenção. Tão pequeno que Assunção Cristas pode ultrapassar o PSD. A displicência com que Passos tratou este processo – uma displicência que é a marca da sua liderança na oposição – poderá custar-lhe o lugar. Um preço justo para quem parece alimentar-se mais do ressentimento pelo passado do que por qualquer projeto para o futuro. Para quem parece apenas estar à espera que o diabo o tire da oposição

Se alguém quiser um dia ensinar a um líder como não escolher um candidato a seja o que for deve olhar para a forma como Pedro Passos Coelho escolheu a cabeça de lista do PSD para Câmara Municipal de Lisboa. É um caso em que o líder quase parece conspirar contra o seu próprio partido. Por displicência, Passos Coelho deixou arrastar um processo que, à medida que as recusas foram sendo públicas, se tornou cada vez mais penoso. Teresa Leal Coelho será por isso vista por todos como a 25ª escolha. A única que aceitou depois de toda agente, quase sem exceção, ter recusado o convite.

Dir-se-ia que se trata de um confronto difícil. De facto, não é fácil. Mas, apesar de tudo, o atual Presidente da Câmara não é um político experimentado com um enorme carisma. É um presidente jovem, que não foi eleito e que não tem na comunicação o seu maior forte. Lisboa vive um bom momento, mas problemas como a inflação das rendas e dos preços das casas e a explosão do turismo descontrolado dão alguma margem à oposição. Já houve lutas mais perdidas a que se apresentaram mais destacados generais. Apresentaram-se, é sabido, para mostrar serviço líder. O problema é que ninguém está disposto a sacrificar-se por um líder a prazo. E quanto mais recusas foram sendo tornadas públicas mais humilhante passou a ser o lugar. Até só haver Teresa Leal Coelho.

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