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Uma Caixa mesmo pública

Apesar do BCE exigir que a CGD funcione como outro banco qualquer, há duas posições legitimas no que toca à Caixa: a dos que defendem a necessidade de um banco público como instrumento económico e financeiro do Estado, ainda mais relevante quando o país desmantelou todo o seu sistema financeiro e prescindiu da monetária e orçamental, e a dos que defendem que se a CGD usa dos mesmos critérios de gestão que a banca privada deve ser privatizada. Haverá, no meio, quem defenda a manutenção da Caixa apenas para garantir a sobrevivência de um banco nacional. É um expediente. Quando Paulo Macedo apela para que “ninguém peça à Caixa para ficar em todas as zonas em que nenhum banco quer ficar” resume do impasse a que chegámos: o Estado pede aos cidadãos que não esperem serviços públicos do banco público no preciso momento em que saca milhões dos impostos. A coisa vai-se gerindo e pelo menos espera-se que uma nova gestão não se limite a fechar balcões e também vá cortando qualquer coisa nos favores feitos a amigos políticos. Mas um dia a escolha terá de ser feita: ou serviços públicos e intervenção do Estado na economia ou União Europeia

Na reestruturação que se está a preparar para a Caixa Geral de Depósitos, já se percebeu quem vai pagar a factura de décadas de favores a amigos: os utentes comuns. Tem sido sempre assim. Os serviços públicos são saqueados por muitos dos que costumam desancar no papel do Estado na economia. No fim, ou o serviço público é privatizado ou é reduzido à sua mínima dimensão. Paulo Macedo anunciou esta semana que o banco prevê chegar a 2020 com 470 balcões. Neste momento são mais de 650.

Não tenho informação nem conhecimento suficiente para avaliar a profundidade e dano desta decisão. Fico-me, por isso, pela forma como Macedo justificou o corte: “Ninguém peça à Caixa para ficar em todas as zonas em que nenhum banco quer ficar. Porque um dos pressupostos desta recapitalização é a rentabilidade.” Lamento, mas eu não me limito a pedir que Caixa esteja em zonas onde nenhum banco quer ficar. Eu exijo, enquanto contribuinte, que o faça, tendo em conta as necessidades das populações.

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