Siga-nos

Perfil

Expresso

Carlos Costa, um perigo sem remédio

Porque foi reconduzido Carlos Costa? Porque o governador aceitou empurrar com a barriga todos os problemas da banca, incluindo os do BES e do Banif, para garantir a fraude da “saída limpa”. Porque aceitou fazer de Portugal uma cobaia europeia para a resolução de bancos, com a catastrófica experiência para resolver o imbróglio do BES, que seremos nós, e não os visionários loucos de Bruxelas, a pagar. Porque fez uma gestão política da solução para o Novo Banco que, muito mais do que os interesses do Estado, teve em conta o calendário eleitoral. Porque se comportou, no Banco de Portugal, como um comissário político. A sua renomeação, contra um quase consenso nacional, correspondeu ao pagamento de favores políticos. Poderemos ter de aceitar que é inevitável o risco de o deixar levar o mandato até ao fim. Mas não nos obriguem a embarcar na fantasia da sua independência. E muito menos, da sua competência

Andou para aí uma grande agitação porque a “geringonça” não respeita os “pesos e contrapesos” de que depende a democracia e em que se inclui, ao que parece, um Banco de Portugal totalmente independente do poder político. E porque não respeita? Porque Bloco e PCP defendem que o governador, tendo em conta tudo o que se sabe sobre a sua incúria enquanto regulador no caso do BES e o preço esmagador que isso teve para os contribuintes, deve sair antes que outro episódio se repita. E porque António Costa não mostra entusiasmo por ter um governador que foi imposto por Passos Coelho quando havia quase um consenso nacional contra a sua recondução.

Mas o que gerou mais reações foi o governo querer retirar ao Banco de Portugal funções que este nunca deveria ter tido, impedindo a repetição de momentos que levaram ao absurdo de termos o regulador bancário dono e vendedor de um banco. É assim como convidar um árbitro a treinar uma equipa. Dizem que, como António Costa não consegue tirar o governador do Banco de Portugal, está a tentar tirar o Banco de Portugal ao governador. Não digo que, se fosse verdade, me sentiria mais inseguro por isso. Mas como as instituições estão acima das pessoas, nunca apoiaria um expediente desse género. Só que a acusação é manifestamente exagerada. Apenas se está a tentar devolver ao Banco de Portugal a sua função original, em que tem sido, infelizmente, tão pouco eficaz.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • Carlos Costa: “Não sei se os fundamentos morais da sociedade portuguesa são suficientemente fortes”

    Nunca um governador do Banco de Portugal foi tão criticado. Mas também nenhum teve de mexer em tanta coisa como Carlos Costa. Recusa ser vítima e diz que as únicas noites de sono que perdeu foi a trabalhar no banco Neste fim de semana em que nos despedimos de um ano e nos preparamos para outro, o Expresso republica histórias, reportagens, conversas, narrativas, dúvidas, considerações, certezas e revelações que fizeram de 2016 um ano preenchido. Todos estes artigos são publicados tal como saíram inicialmente

  • Quem é que afinal maquilhou as contas da banca?

    Acusação de António Costa de que houve “maquilhagem” no sistema financeiro para promover “saída limpa” do programa de assistência económica e financeira atinge não apenas o anterior governo PSD/CDS mas também o Banco de Portugal, Banco Central Europeu, os auditores e a troika