Siga-nos

Perfil

Expresso

Holanda: antes xenófobo do que social-democrata

O comportamento irresponsável do governo holandês, que impediu o chefe da diplomacia turca de entrar no seu território para fazer campanha junto dos seus compatriotas, nada tem a ver com a defesa da democracia na Turquia ou razões de segurança. Um governo de liberais e trabalhistas adeptos da terceira via, dominado por uma política de austeridade e de desmantelamento de direitos sociais, prepara-se para uma brutal derrota nas urnas. A extrema-direita, aproveitando o descontentamento popular, terá na Holanda aquela que podem ser apenas a primeira vitória na Europa. E os partidos do centro, em vez de mudarem de rumo na política económica e social, aproximam-se das sua agenda extremista. Antes xenófobo do que social-democrata. O tiro vai-lhes sair pela culatra. A busca insensata e injustificada de um conflito diplomático com a Turquia, que é nocivo para toda a Europa, não lhes dará a vitória nas eleições. Apenas cria uma espiral de ódio que ajuda um pouco mais o senhor Wilders

A Turquia está a preparar-se para um referendo constitucional que aumenta os poderes presidenciais. Trata-se de um golpe constitucional para que Erdogan se eternize no poder. Infelizmente, os conservadores de direita do AKP, que representaram, na fase inicial, uma abertura e desmilitarização do regime – para além de terem sido responsáveis por enorme salto económico –, entrou, há alguns anos, na sua fase de degenerescência autoritária.

Tudo isto são considerações sobre a vida interna da Turquia. A Europa em geral e a Holanda em particular têm relações diplomáticas fortes com ditaduras bem mais ferozes do que a turca, onde nem este referendo seria possível. Não será seguramente por causa do referendo que surgem conflitos diplomáticos. Alguns ministros turcos estão a fazer campanha junto da enorme diáspora turca, na Europa. Participaram em comícios na Alemanha (as autoridades alemãs cancelaram os comícios mas não interferiram na presença dos governantes turcos) e em França. É normal e habitual políticos de um país participarem em encontros com os eleitores na diáspora. Lembram-se que Catarina Martins foi a Paris participar num encontro político com imigrantes, durante uma campanha?

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • “Uma espécie de Dom Quixote” que compara o Corão ao “Mein Kampf”

    Bem colocado nas sondagens para as eleições holandesas desta quarta-feira, Geert Wilders é descrito como um populista que comunica via Twitter e usa “palavras simples que o eleitor é capaz de compreender”. Se o perfil soa familiar, não é por acaso: Wilders é um assumido apoiante de Trump. “Vamos tornar a Holanda nossa outra vez”

  • Sempre fui contra a ideia da adesão da Turquia à União Europeia. O problema residia em duas questões que não são de pormenor: a primeira é que a Turquia é, essencialmente, um país asiático, ou daquela região que se chama Ásia Menor; a segunda é que nunca foi totalmente uma democracia, estando nesse aspeto a piorar drasticamente nos últimos tempos. Porém, as principais cabeças e capitais europeias eram a favor da entrada de Ancara, embora a prazo