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Quem cala Nogueira Pinto não defende a democracia

É verdade que os rapazes da Nova Portugalidade só lutam pela liberdade de expressão se for a sua – o seu principal dirigente partilha no facebook uma foto tirada em Santa Comba Dão, em que se ajoelha perante uma lápide “para honrar o professor Oliveira Salazar”. Mas nem por isso têm menos direito à palavra do que qualquer outro estudante. É verdade que a direção da FCSH se disponibilizou para organizar outro evento com o mesmo tema e incluindo Nogueira Pinto. Mas não me parece que caiba ao diretor limitar o direito à dissertação solitária do conhecido historiador. E é verdade que a Associação 25 de abril ofereceu o seu espaço a sessão, mostrando aos salazaristas o que a distingue deles. Mas isso não apaga o erro dos estudantes. Nunca vi Nogueira Pinto associado a qualquer grupo violento ou que promovesse qualquer ato inconstitucional. Pelo contrário, respeita todas as regras democráticas de pluralismo e debate sempre com civilidade os seus (nada recomendáveis) pontos de vista. Os jovens da FCSH não só aguentariam ouvi-lo com ganhariam muito em discutir com ele. Quando estudantes pouco familiarizados com as regras democráticas o tentam calar e o tratam como se trataria um criminoso não combatem os inimigos da democracia. Apenas os tornam mais respeitáveis

Quando li a notícia no “Observador”, que nestes temas tende a torcer um bocadinho a verdade, desconfiei. Mas fiz a minha própria pesquisa e era mesmo verdade: em Reunião Geral de Alunos (RGA) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, um tradicional bastião de esquerda no ensino superior, foi aprovada uma moção que apelava a que a instituição não cedesse uma sala para o núcleo Nova Portugalidade organizar um debate. O núcleo é de alunos da faculdade. O que torna a decisão ainda mais estranha: 30 alunos (eram os que estavam presentes na RGA) têm poder suficiente para pressionar a direção e impedir que colegas seus organizem debates pacíficos. A direção da faculdade deixou de garantir a sala pelas piores razões: segurança. Se uma faculdade não consegue garantir segurança para o exercício da liberdade estamos bem tramados.

Li a ata da RGA e percebi que muito provavelmente os estudantes nem sequer sabiam quem era o convidado da sessão. O seu nome nunca é referido, facto que o “Observador”, que leu a mesma ata que eu, omite na notícia. O tema era o Brexit, Trump e as eleições presidenciais francesas e o convidado era figura bem conhecida de todos nós: Jaime Nogueira Pinto. E só por isso este ato de censura se tornou mais mediático.

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