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“Assalto ao Castelo” e o jornalismo que nos interessa

O futuro da imprensa está nas “slow news”. Em vez de dar tudo e de ser o mais rápido a dá-lo, cabe à comunicação social tradicional oferecer enquadramento e credibilidade. Quando lermos, ouvirmos ou virmos na comunicação social de referência uma qualquer informação passamos a acreditar e a compreender o que soubemos por outras fontes. Não é por acaso que Pedro Coelho não terminou “Assalto ao Castelo” em cima do momento em que rebentou o escândalo do BES. O enquadramento e a credibilidade do conjunto de factos recolhidos e tratados por ele oferece à sociedade todos os dados necessários para que compreenda o que aconteceu no BES e como se comportou o regulador. E permite-lhe responsabilizar os que, para além de Ricardo Salgado, falharam, por ação ou omissão, nas suas funções. O jornalismo, este, que se ergue sobre o burburinho do escândalo diário para ir mais fundo na fiscalização dos poderes económicos e políticos, é indispensável para o exercício democrático da cidadania. E é o único que sobreviverá à voragem quotidiana dos pequenos casos no tempo das redes socias

A imprensa, em vez de ter encontrado o seu lugar, tem procurado oferecer aos cidadãos o que as redes sociais já oferecem: notícias rápidas, pouco aprofundadas e não verificadas. O jornalismo tem de conseguir contrariar a sua natureza: a rapidez deixou de ser importante porque, na maioria dos casos, os cidadãos sem deveres deontológicos têm todos os instrumentos tecnológicos para serem mais rápidos que os jornalistas.

O futuro está nas “slow news”. Em vez de dar tudo e de ser o mais rápido a dá-lo, cabe à comunicação social tradicional oferecer enquadramento e credibilidade. Quando lermos, ouvirmos ou virmos na comunicação social de referência uma qualquer informação passamos a acreditar e a compreender o que soubemos por outras fontes. Isto quer dizer que os jornalistas terão de se habituar a ser, muitas vezes, os últimos a dar-nos as novidades. Porque, ao contrário de quem não tem de cuidar da sua credibilidade, terão de verificar os factos e dar-lhes o enquadramento que faz a diferença.

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  • Grande Reportagem SIC: Assalto ao Castelo

    Que papel teve afinal o Banco de Portugal no caso BES? O regulador sabia e não agiu a tempo? O poder de Ricardo Salgado terá ofuscado a atuação da supervisão? O Banco de Portugal omitiu informações aos deputados da Comissão de Inquérito ao BES? Quatro perguntas a que os três episódios da Grande Reportagem da SIC tentarão dar resposta

  • Grande Reportagem SIC: Assalto ao Castelo - Episódio 2

    No segundo episódio da Grande Reportagem “"Assalto ao Castelo”, revelamos um relatório do BPI que esteve, até hoje, na penumbra. Carlos Costa recebeu-o em 2013 e despachou-o para o seu vice a 1 de agosto de 2013 que, por sua vez, o despachou para o departamento de supervisão nesse mesmo dia. Nesse relatório, o BPI reúne documentação sobre o estado das finanças do GES. De acordo com esses dados, o grupo de Ricardo Salgado estava falido desde 2011. O que fez o Banco de Portugal? É a pergunta que se impõe

  • Grande Reportagem: Assalto ao Castelo - Episódio 3

    No terceiro e último episódio, viajamos até ao Dubai e mergulhamos numa geografia que ainda não integrava o mapa do maior escândalo financeiro que assolou Portugal. O centro da história é a filial do BES no Dubai. Um escândalo dentro do escândalo que Carlos Costa conhecia ao pormenor. A história começa com um famoso treinador de futebol