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Um melhor momento para mudar a nossa relação com Angola

As relações institucionais e económicas de Portugal não dependem da democracia e do império da lei em Angola. Como todos os Estados, Portugal relaciona-se com várias ditaduras e faz negócios com vários países onde a corrupção tem rédea solta. Mas não pode tolerar que Angola queira exportar para cá a interferência do poder político no poder judicial e a compra de magistrados. A saída de José Eduardo dos Santos do poder está a deixar a elite angolana nervosa. Manuel Vicente foi afastado da linha de sucessão e a família do ditador está sair dos lugares chaves da economia. Isto acontece no exato momento em que o combustível que alimentava a ditadura e comprava silêncios em Angola e em Portugal está a acabar. É agora que Portugal deve reequacionar os termos da sua relação com Angola. Deixando desde claro que relações diplomáticas, políticas e económicas mútuas dependem do respeito por algumas regras mínimas

Em circunstâncias normais, a visita de Francisca Van Dunem a Angola, pela sua origem angolana, a sua pertença a uma família com uma fortíssima ligação ao MPLA e por ser a primeira ministra negra que Portugal conheceu, seria assinalada, pelo seu forte simbolismo, com grande contentamento mútuo. Qualquer outro país africano de língua oficial portuguesa teria aproveitado para estreitar relações. Mas, em Angola, as circunstâncias estão longe de ser normais.

A saída de José Eduardo dos Santos do poder, depois de 38 anos no centro da distribuição de favores, está a deixar a elite angolana nervosa. Manuel Vicente foi afastado da linha de sucessão e a família do ditador está sair dos lugares chaves da economia, provavelmente preparando-se para gozar noutras paragens os frutos quatro décadas de saque. Este nervosismo geral torna difícil qualquer análise racional do que se passa em Angola. E é esta incerteza que explica um novo reforço da repressão, incluindo a violência sobre ativistas que entretanto ganharam visibilidade internacional, como Luaty Beirão.

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