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A sério que o menino não está na Operação Marquês? É que está lá toda a gente!

Toda a gente está na Operação Marquês: Sócrates, Salgado, Vara, Lalanda de Castro, Horta Costa, Zainal Bava, Granadeiro. E está o grupo Lena, a PT, o BES. Se a investigação durar mais tempo arriscamo-nos a ter lá o PSI20 inteiro. Não é que duvide que as teias da corrupção atravessem grande parte das maiores empresas nacionais, passem pelo bloco central e tivessem como centro nevrálgico o dono disto tudo. Mas uma investigação que tente cobrir toda a corrupção nacional, estendendo-se mesmo até às ramificações do processo Lava-Jato, está condenada ao fracasso. Poderá, como aconteceu no Brasil e em Itália, implodir com o sistema político. Mas dificilmente chegará, pela sua megalomania, qualquer tipo de conclusão judicial. Ou saiu a sorte grande ao Ministério Público ou tem mais olhos (suspeitas) do que barriga (provas). Alguém acredita que se fará uma investigação sólida, abrindo tão ambiciosa frente como a da PT/BES, a duas semanas do fim do prazo?

A Operação Marquês começou por ser em torno das relações entre José Sócrates e o grupo Lena. Mas, apesar deste grupo continuar a ser investigado, os números conhecidos deixaram claro que os seus negócios com o Estado até tinham sido menos recorrentes durante o mandato de Sócrates do que no governo anterior. Depois, a investigação passou a ser em torno do empreendimento de Vale do Lobo. Fosse o caso, dir-se-ia que a montanha tinha parido um rato. Dificilmente tal negócio poderia explicar o fluxo de dinheiro que ia de Santos Silva para Sócrates. Agora, chega um negócio a sério e que envolve as golden share do Estado na PT, a própria PT e o BES.

A sensação com que ficamos é que os investigadores sabem, como nós sabemos a partir dos dados já provados, que José Sócrates recebia dinheiro que não era seu e estão convictos que esse dinheiro tinha como origem a corrupção. Eles sabem que Sócrates é culpado. Estão a investigar para saber de que é ele culpado. Talvez seja assim que se investigue, mas quando essa investigação se faz, em simultâneo, nos tabloides, deixa um rasto de confusão e de condenados sem provas pelo caminho. E esta é a minha perplexidade: a ligeireza com que a acusação deixa cair na imprensa diferentes suspeitas e pistas indicia uma investigação que está há vários anos à procura de rumo. E que abre novas frentes de ataque sempre que o prazo vai expirar.

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