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O peso da velha escola sente-se nas mochilas dos nossos filhos

No dia em que as mochilas estiverem mais vazias não é apenas a saúde dos nossos filhos que estará defendida. Saberemos que a própria saúde do sistema educativo terá melhorado: menos trabalhos de casa, menos manuais, menos custos para os pais a alimentar um negócio desnecessário, menos matéria para empinar, mais ensino na escola, mais utilização dos suportes digitais que usamos hoje no nosso quotidiano, com escolas mais informatizadas, mais aprendizagem através da experiência. O facto de um aluno levar para casa, todos os dias, mais material do que qualquer profissional adulto transporta no seu quotidiano deveria chegar para percebermos que está qualquer coisa errada no nosso sistema de ensino. O mais evidente: o mundo mudou radicalmente e ainda se ensina com um modelo semelhante ao que se usava há um século. As mochilas cheias são só a parte deste conservadorismo que pesa no corpo dos nossos filhos

A Organização Mundial de Saúde recomenda que nenhuma criança transporte mais de um décimo do seu próprio peso. Um estudo da DECO, de 2003, concluiu que mais de metade das crianças do 5º e 6º anos transportavam peso a mais nas suas mochilas. O excesso de peso transportado aumenta a probabilidade de desenvolver problemas de ossos e músculos.

Passados 13 anos deste estudo, um grupo de cidadãos e de organizaões (Confederação Nacional das Associações de Pais, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia e Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral) vieram denunciar a total ausência de medidas para travar esta situação, em que as instituições que deveriam proteger bem-estar às crianças prejudicam a sua saúde. Os peticionários sugeriram que as escolas pesem semanalmente as mochilas dos alunos, disponibilizem cacifos a todos, substituam sempre que possível os manuais por suporte digital e criem manuais e livros mais concisos e com papel mais fino. A petição foi discutida no parlamento e pelo menos o tema mereceu atenção política e mediática. É assim que as coisas mudam: quando, graças à insistência cívica dos mais teimosos e conscientes, o que parece natural deixa de o ser. Mas quero ir um pouco mais longe. O que nos dizem estas gigantescas mochilas sobre o nosso sistema de ensino?

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