Siga-nos

Perfil

Expresso

Ressentimentos de quinta-feira

Esperava-se um balanço do seu mandato, uma reflexão sobre o passado recente do País, um testamento político. Qualquer coisa com a grandeza que se pede a um antigo chefe de Estado. Mas se assim fosse, Cavaco não seria Cavaco: um homem que sempre reduziu o País à sua própria pequenez. Ao revelar, tão pouco tempo depois de abandonar a Presidência e quando ainda não pode estar a fazer história, conversas que a tradição sempre manteve reservadas, quebra uma regra de confiança institucional. As conversas de quinta-feira foram entre o Presidente e o primeiro-ministro, não entre Cavaco e Sócrates. A partir de agora, o primeiro-ministro, seja ele qual for, sabe que o que diz ali pode vir a ser publicado pelo Presidente, seja ele quem for. E vice-versa. E isso afeta a informação que um passará a outro, reduzindo os mecanismos de coordenação de que o sistema semipresidencialista depende. Mais uma vez, Cavaco demonstra não compreender que o cargo está acima do homem e que os interesses do País estão acima do seu ressentimento. Que não é, nunca foi, um homem de Estado

Cavaco Silva lançou o seu primeiro livro depois de abandonar o cargo de Presidente da República. Seria de esperar um balanço do seu mandato, uma reflexão sobre o passado recente do País, um testamento político para o futuro. Qualquer coisa com a grandeza que se pede a um antigo chefe de Estado. Mas se assim fosse, Cavaco Silva não seria Cavaco Silva: um homem que sempre reduziu o País à sua própria pequenez.

O primeiro livro de Cavaco é um livro de inconfidências. Não é propriamente um livro de memórias que, para ser rigoroso, deixa algumas pessoas chamuscadas. Para além de bicadas ao atual presidente (sempre confundiu seriedade com cinzentismo) e ao atual governo (o ex-presidente acha que há dois partidos que devem estar excluídos da governação), Cavaco dedica-se à vingança. O ataque principal dirige-se a um cadáver político que ninguém defenderá: José Sócrates.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • Sócrates responde a Cavaco

    O ex-primeiro-ministro acusa Cavaco Silva de ter publicado um livro que não é mais do que “um autorretrato perfeito das consequências que o ressentimento pode ter no caráter de um político”. José Sócrates não se poupa a desmentidos, num texto de opinião publicado no Diário de Notícias

  • Sócrates e Cavaco: da lua de mel à lua de fel

    Cavaco começou rendido ao “reformismo” de José Sócrates (para grande ira do PSD). E acabou a pedir “um sobressalto cívico” contra “a década perdida”. “Nunca vi um Presidente terminar tão só”, vingou-se o ex-PM. O Expresso Diário revisita o gráfico de uma relação sempre a cair na véspera do lançamento do livro de Cavaco sobre a sua coabitação com Sócrates