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Também na Holanda, traição da esquerda pode dar vitória à extrema-direita

Repete-se na Holanda o que se está a ver em França: a extrema-direita cresce juntando à agenda xenófoba que lhe é tradicional as bandeiras da esquerda. No dia da vitória de Geert Wilders, todos se vão concentrar no racismo e na xenofobia, como reação à imigração, ao Islão e ao “politicamente correto”. Ignorando que essa não é a novidade. Essa é a velha cantiga da extrema-direita holandesa e europeia. A novidade é um governo com a participação de trabalhistas ter decretado oficialmente o fim do Estado Social e ter imposto uma política de austeridade. A novidade é os dois partidos do centro correrem o risco de passarem de mais metade do Parlamento para menos de um terço. A novidade é os trabalhistas ficarem reduzidos a metade, a um terço ou a um quarto da bancada parlamentar que hoje têm. A novidade não tem novidade nenhuma: a extrema-direita está a chegar ao poder por culpa de uma esquerda que quis ser do centro e acabou na direita, traindo todos os seus valores

Andamos todos muito concentrados com as eleições francesas. O papel da França na União Europeia e a possibilidade de Marine Le Pen vencer as eleições dão-nos razões para preocupações. Mas aproximam-se outras eleições em que o resultado trágico se apresenta como mais provável do que em França. Os holandeses votam a 15 de março e todas as sondagens dizem que o PVV (Partido pela Liberdade, de extrema-direita), liderado por Geert Wilders, se transformará no primeiro partido do país.

Os dois maiores partidos holandeses, que governam em coligação (há 11 partidos no parlamento e os governos de coligação são a norma), vai sofrer uma pesadíssima derrota. O VVD (Partido Popular para a Liberdade e a Democracia, da direita liberal), liderado pelo primeiro-ministro Mark Rutte, pode passar dos atuais 41 deputados para de 22 a 29 mandatos (tendo como fonte as várias sondagens publicadas desde o início do ano). O PvdA (trabalhistas da linha blairista), do ministro das Finanças (e presidente do Eurogrupo) Jeroen Dijsselbloem, pode passar de 38 deputados para 10 a 17. Os partidos que sustentam o governo passam de 79 deputados para 32 a 46 (em 150).

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