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Não batam no Trump, que os mercados gostam dele

Quem tenha dúvidas da descontração com que o poder económico está a receber a chegada de Donald Trump deveria prestar atenção à reação dos famosos mercados. Em geral tem sido boa e nunca tão má como a que assistiríamos perante um Bernie Sanders, por exemplo. Nada do que Trump propõe assustaria tanto como uma política que favorecesse a igualdade fiscal, os direitos laborais ou a regulação firme da economia e dos mercados financeiros. Os mercados não se agitam com um aumento da desigualdade, não dependem de direitos cívicos, não se preocupam com o ambiente, não defendem a democracia. Os mercados são uma multidão de investidores com olhos postos em ganhos próximos. Quem governa para os mercados não governa segundo um conjunto de valores sedimentados na história. Não governa para o bem comum. Não governa sequer para o futuro. Não é possível governar ignorando a dependência dos Estados e das empresas face ao poder financeiro. Mas quem governa com o objetivo de satisfazer os mercados não governa coisa alguma

O que deseja Donald Trump, do ponto de vista económico? Privatizar, desregular, baixar impostos para as empresas e apostar mais nas nossas famosas parcerias público-privado. Não há nada, no programa económico de Trump, de novo na agenda neoliberal. É apenas mais radical. Mesmo a ideia de que o investimento público, ainda mais sustentado por via do endividamento junto de instituições financeiras e não através dos impostos, é contra o espírito neoliberal é um absurdo. A América com que Trump sonha é a América com que os interesses do poder económico e financeiro sonham.

Há uma diferença, dizem todos: Donald Trump é um protecionista, um inimigo da globalização. O debate político está, nesta matéria, minado por palavras sem grande conteúdo. Nunca nenhuma potência económica mundial deixou de ser protecionista. A globalização que todas elas defendem é, sempre o foi, a desproteção dos outros. Nunca os Estados Unidos deixaram de se proteger. Assim como a China, grande contestatária do “quarto escuro” onde os EUA se estão a enfiar e, ao mesmo tempo, uma das potências económicas mais protecionistas do mundo.

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