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Servidores públicos, os primeiros a resistir a Trump

A resistência dos funcionários de organismos públicos norte-americanos (os serviços florestais, os serviços de prevenção de doenças, a NASA, a FDA e vários serviços ligados ao ambiente e à saúde) à tentativa de instrumentalização do saber técnico produzido pelo Estado para construir “factos alternativos” e promover a ignorância científica é um bom exemplo para compreendemos que os trabalhadores do Estado podem muitas vezes ser, pelo menos em sociedades democráticas, a última barreira em defesa da democracia. A segunda lição a tirar é que defender a autonomia dos funcionários públicos face ao poder dos eleitos – o que passa por garantir a sua segurança laboral – é defender a democracia. A vitória de Trump, sendo uma tragédia, é plena de pedagogia. Redescobrimos que não podemos dar nada por garantido. Só a resistência popular e a cdadania quotidiana o pode fazer. E na linha da frente estão, muitas vezes, os tão vilipendiados funcionários públicos

Quando Kellyanne Conway, conselheira de Donald Trump, falou de “factos alternativos” talvez as pessoas não tenham percebido bem do que estava a falar. Não era mais uma palavra para suavizar a confissão da mentira. Era um programa político. Se até agora a direita mais agressiva tinha a Fox News como instrumento para espalhar uma realidade alternativa, desafiando até incontestadas provas científicas, Trump passou para uma forma mais avançada de luta: a mentira será discurso oficial de Estado. Não apenas pela sua boca, mas por via dos organismos públicos, sujeitos à apertada censura do candidato a ditador.

O presidente já fez saber que todos as informações vindas de organismos do Estado terão de passar pela sua aprovação. O primeiro sinal de revolta veio dos serviços dos parques naturais. Depois da publicação de informação sobre as alterações climáticas nas contas de twitter do organismo, elas foram apagadas. Quando surgiram de novo, deixaram a garantia de que, a partir daquele momento, só seriam partilhadas informações inócuas para a nova verdade instalada na Casa Branca. Estava reposta a ordem, proibindo factos que não sejam alternativos.

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  • Os “factos alternativos” da Administração Trump acabaram de ganhar um site

    Mas não foi o governo americano que o criou. Quem comprou o domínio alternativefacts.com está a redirecionar os utilizadores para um artigo de psicologia sobre abuso emocional e manipulação — a técnica de ‘gaslighting’, que vai buscar o nome a um filme protagonizado por Ingmar Bergman e que passa por confundir a noção de realidade das vítimas a fim de as controlar