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A democracia não é a ditadura da maioria. A minoria deve desobedecer

O gesto de Sally Yates é o reverso da obediência que Hannah Arendt identificou entre os burocratas criminosos que sustentaram a tirania nazi. Se o povo desesperado eleger xenófobos a minoria tem direito e o dever de boicotar, por todos os meios, políticas xenófobas. Porque, sendo a xenofobia contrária aos valores democráticos, não se pode invocar a democracia para a impor. Se a maioria quiser discriminar as minorias todos temos o dever de o impedir. Porque a democracia não é a ditadura da maioria. Se um governante for inimigo da democracia é dever dos democratas travá-lo sem qualquer hesitação. Porque os limites do poder democrático são o respeito pelos valores em que a sua legitimidade se sustenta. Resistir a Donald Trump ou a Marine Le Pen, nas urnas mas também na rua, pela lei mas também pela desobediência, é respeitar a memória de todos os que morreram no século XX às mãos do racismo e da intolerância. Sally Yates foi apenas a primeira

Donald Trump estava convencido que dirigir um Estado era o mesmo que dirigir as suas empresas. É um erro que os homens de negócios cometem quando se dedicam à política. Nas suas empresas, eles são os donos do que dirigem. Nos Estados, eles são apenas passageiros. O país não é deles, o povo não é deles, o Estado não é deles, nem sequer o lugar lhes pertence. E o chefe de Estado que acredita que basta uma ordem sua para que as coisas aconteçam deve contar, em democracia, com a resistência de todos.

A ordem executiva de Trump, para impedir a entrada de cidadãos de sete países, sem qualquer critério que não seja a evidente discriminação por razões religiosas, contou com uma oposição que nem o Presidente esperava. É provável que não lhe tenha diminuído a popularidade, como bem explicou aqui, no Expresso Diário, o Ricardo Costa. Mas não basta popularidade para governar. E isso vai ser a lição mais dura para Trump: há, entre a gestão de contas em redes sociais e a governação de um país, uma enorme diferença.

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