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Benoît Hamon: as coisas estão a mudar

Como em relação a Corbyn, não me interessa, por agora, saber se Benoît Hamon é o homem indicado para reconstruir a esquerda francesa. Como com Sanders, não me interessa agora saber se levará os socialistas ao poder contra as duas correntes que a esquerda tem de combater com igual empenho: o neoliberalismo económico e o autoritarismo xenófobo. O que me interessa é sublinhar uma tendência: na luta pela sua sobrevivência, o espaço da social-democracia está a tentar reconstruir-se como polo à esquerda, já não se contentando em ser o mal menor. Compreendendo esta dinâmica, a esquerda portuguesa não pode, por razões mesquinhas, deitar tudo a perder. Os tempos estão a mudar e discursos como o de Francisco Assis estão a tornar-se cada vez mais anacrónicos. Mas um pequeno passo atrás pode significar um recuo de anos. Foi o que aconteceu em Espanha

Cada país tem a sua história, cada partido tem a sua dinâmica. Mas quando nos apercebemos de uma tendência de confluência de acontecimentos podemos falar de um padrão. E nessa altura podemos tirar algumas conclusões políticas gerais.

Quando se diz que há um crescimento de movimentos xenófobos e de extrema-direita no mundo ocidental podemos confirmá-lo nos EUA, no Reino Unido, em França, na Holanda, na Áustria, na Alemanha. Quando dizemos que sempre que estes movimentos não têm capacidade para crescer o descontentamento é direcionado para movimentos radicais de esquerda ou inorgânicos, podemos confirmá-lo na Grécia, Espanha e Itália. Quando dizemos que, entalados entre a extrema-direita, a esquerda radical e os neoliberais, a social-democracia perdeu espaço, confirmamo-lo em França, Espanha, Alemanha, Reino Unido.

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