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Marcelo dentro do cerco

Pela primeira vez, desde que este governo se formou, a geringonça está em dificuldades. Não é por nada que tenha a ver com a vida concreta dos portugueses. É porque o cumprimento de quase todos os pontos dos acordos que a sustentam deixaram os partidos à esquerda sem guião. E a direita viu aqui a oportunidade de apertar ao cerco a um exército com generais que parecem ter deixado de falar entre eles. Este novo momento político pôs a direita na ofensiva. Uma ofensiva em que Marcelo Rebelo de Sousa, pouco amigo de Passos e mais preocupado em não ficar associado a qualquer momento de instabilidade política, não participa. E é interessante verificar como mudou o tom geral dos media para com o até agora incontestado Presidente da República. Sem que Marcelo tivesse mudado uma vírgula ao que tem dito ou no seu estilo. Era previsível: a fragilidade da geringonça animaria as hostes do PSD e se o Presidente não passasse para o lado de fora do cerco ficaria ele próprio cercado. Veremos como se comporta Marcelo no lugar de alvo da imprensa militante

Quando foram as últimas eleições presidenciais fui bastante crítico em relação ao alinhamento evidente de grande parte da comunicação social. Em campanha, Marcelo Rebelo de Sousa era tratado como a personificação perfeita do espírito nacional, o único homem capaz de unir os portugueses. Marcelo venceu as eleições e nada de especial mudou a não ser a sua popularidade ter disparado para níveis nunca antes conhecidos por qualquer político português. Por mérito próprio e, há que reconhecê-lo, por intervenção dos jornalistas.

Como se sabe, a geringonça tem passado por dias difíceis. A razão das dificuldades já a tratei aqui há umas semanas: cumprido o essencial dos acordos entre os partidos à esquerda, no qual se baseia a legitimidade deste governo, a maioria que o sustenta está condenada, caso não se definam novos objetivos, a andar à deriva e surgirão cada vez mais elementos de fricção. Se a identidade do BE e do PCP já não se afirma naquilo que ajudam a conquistar através do apoio a esta solução governativa afirmar-se-á por via daquilo que impedem que seja feito. Isso viu-se no caso da TSU e ver-se-á nas PPP da saúde. O PS, quebrado o espírito que o unia a estes partidos, terá a tentação de se comportar como um partido charneira, procurando apoios à esquerda e à direita, conforme o tema. E o PSD, percebendo esta dificuldade, deixará os socialistas sozinhos.

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