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Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas... depois de todos os outros

Há coisas novas, como um possível realinhamento estratégico na relação com a Rússia e com a China, a possibilidade de se recuar nos acordos de Paris, o discurso de Trump sobre acordos comerciais internacionais e a sua leviandade com que este homem trata os assuntos de Estado. Mas a principal novidade é ter-se juntado num só homem toda a degradação política das últimas décadas. O mundo maravilhoso que nos prometeram, onde o comércio mundial chegaria para garantir a paz e a prosperidade e o saber dos homens de negócios levaria a competência aos governos, aí está, a rebentar pelas costuras. Trump não é o início de nada, é a apenas uma caricatura grotesca do que andámos a fazer desde que, com a queda do bloco comunista, achámos que nada, a não ser a concorrência e a propriedade, tinha de ser preservado. Trump, o CEO demagogo que ataca os imigrantes e os pobres, que vai reduzir os impostos aos ricos e tirar cuidados de saúde aos pobres, não é uma guinada na história do Ocidente, é uma aceleração. É a confirmação do poder bruto e implacável do dinheiro

É com profundo pesar que grande parte do mundo e, é bom recordar, a maioria dos norte-americanos assiste hoje à tomada de posse de Donald Trump. A ideia geral é a de que estamos a viver um dia único, que nada será como antes, que este é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Longe de mim querer diminuir a importância deste momento. Mas quase nada do que Trump começou agora ou chegou hoje ao poder.

Não foi hoje que se começou a vender a ideia de que o melhor governante é o gestor, que o melhor político é o homem de negócios, que a Nação é como uma empresa e o chefe de Estado o seu CEO. Não foi hoje que as capacidades políticas foram substituídas pelo aparato mediático, que o carisma deu lugar à fama, que o discurso político se transformou num conjunto de frases desconexas. Silvio Berlusconi, que acabou de ver o seu antigo porta-voz eleito presidente do Parlamento Europeu, ensaiou há muito o que Donald Trump faz agora. A ética política do neoliberalismo implica esta substituição de homens de Estado por empreendedores amorais.

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