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Quem ganha em dinamitar as pontes sobre o Canal da Mancha?

É evidente que os maiores responsáveis políticos pelo caminho que as coisas vão levar são Theresa May (que fez um discurso apaziguador mas em defesa do “hard Brexit") e Boris Johnson. Mas Bruxelas deveria ter mostrado abertura para um processo negocial que mantivesse o Reino Unido fortemente ligado aos seus parceiros europeus. É verdade que foram os britânicos a escolher o divórcio. E que são eles a decidir que ele será sem convívio depois da separação. Mas ao deixar imediatamente claro que todas as portas para uma saída suave e o menos profunda possível estavam fechadas, Bruxelas não criou o clima favorável a esse caminho e deu a vitória a Merkel e a Trump, dois inimigos que neste caso têm interesses confluentes. A Merkel, porque, não sobrando qualquer ponte sobre o Canal da Mancha, o poder alemão na União sai reforçado e pode sonhar com a captura da City londrina. A Trump, porque tentará aproveitar o divórcio para ser o ombro amigo que os britânicos precisam

Perante a vitória do Brexit, resultante da vontade popular da maioria dos britânicos, a União Europeia tinha duas possibilidades: lidar com a naturalidade democrática de quem compreende que o projeto europeu é de adesão e desvinculação voluntária, não se aplicando a ele as punições contra “separatistas”, ou reagir como reagem as potências imperiais, tentando fazer do primeiro a atrever-se a cortar amarras um exemplo para quem lhe pense seguir os passos. Uma ou outra escolha fariam do Brexit uma oportunidade de mudança ou uma confirmação do erro.

Um dia depois da vitória do Brexit, que apanhou de surpresa a elite política de Bruxelas e de Londres, todos os principais poderes da UE lançavam uma única mensagem: se o Reino Unido decidiu sair, que saia depressa e totalmente. O sentimento geral, muito alimentado pela Alemanha e pela Comissão, era o de que não se podia permitir que o Brexit tivesse um final feliz para os britânicos, pois isso enviaria os sinais errados para todos os eurocéticos.

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