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Ciência e tecnologia: o império dos precários

A brutal precariedade no sistema científico e tecnológico afeta investigadores, técnicos, comunicadores e gestores de ciência, doutorados, licenciados e mestres. Qualquer pessoa que queira trabalhar em ciência e tecnologia em Portugal sabe que escolhe uma das mais incertas profissões, quase nenhuma progressão ou acesso a uma carreira e uma reforma miserável. Isto, numa das profissões mais avaliadas, competitivas e exigentes que se pode escolher. As bolsas só deviam servir para a obtenção de um grau. Tudo o resto é trabalho e deve ser tratado como tal. E a contratação a prazo, tenha a forma que tiver, só faz sentido em projetos financiados e com duração limitada no tempo. Não pode servir para garantir a continuidade de centros de investigação. A solução não pode ser, como pretende Manuel Heitor, criar uma carreira igualmente precária mas um pouco melhor do que as bolsas, ao lado da carreira normal, contribuindo para que os 70% de precários que garantem a investigação científica pública em Portugal venham a ser 100% Ainda em digestão da intervenção de Theresa May, deixo o Brexit para amanhã)

Não será exagero dizer que foi Mariano Gago que criou um sistema científico nacional digno desse nome. Num país com enormes dificuldades em compreender o papel essencial do Estado na investigação e desta no desenvolvimento social e económico, a empreitada exigiu determinação política. Teve, pelo atraso com que chegou, um preço: a extrema precariedade dos investigadores. No início, os passos tímidos assim o exigiam. E tratava-se, apesar de tudo, de um avanço.

O problema foi quando a coisa se institucionalizou e, pior, passou a funcionar como forma de resolver todas as carências de centros de investigação e universidades, do secretariado à docência. Hoje, são precários que garantem a grande parte da investigação, uma parte considerável do ensino (por vezes sem qualquer remuneração por isso) e até o funcionamento quotidiano das instituições. E quase todas as atividades dos centros de investigação socorrem-se de bolsas para serem garantidos.

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