Siga-nos

Perfil

Expresso

Soares seria um líder para este tempo?

Soares foi um líder político do seu tempo e isso provavelmente quer dizer que seria líder de outro tempo qualquer. Representou o combate pela abertura do País ao exterior, que o levou a ser europeísta. Representou o confronto da guerra fria, tendo-se posicionado ideologicamente tendo em conta esse confronto histórico. E representou, em Portugal, os combates fundadores de qualquer democracia. Mas não devemos confundir as capacidades de Soares com as suas circunstâncias. E a prova disso mesmo é que, no fim da vida, Soares soube compreender as novas divisões políticas que se estavam a desenhar na Europa e em Portugal. O tempo dos tecnocratas é o tempo que está a ser derrotado. A política está, em cores berrantes e feias, de regresso. Nesta nova era, perante estes combates de novo fundadores e dramáticos, Soares estaria como peixe na água. E quem queira ter um papel central neste confronto usará melhor o seu tempo a aprender com o legado de Soares do que a lamentar, pela enésima vez na história, o fim das grandes lideranças

Para além dos velhos ódios que espalharam boatos antigos, recordando que a pós-verdade pode ter um nome pomposo mas está longe de ser uma novidade, para além do ressentimento dos chamados “retornados” e dos comunistas, a semana inundou o espaço público com elogios a Mário Soares. Pelo menos no foi assim no País tradicional, representado pelos jornais e pelas televisões, longe do ruído das redes sociais. Esse País esperava há algum tempo pela morte de Mário Soares para encerrar o capítulo que se começou a escrever com a morte de Álvaro Cunhal. A ideia que é tão repetida como as gerações que se sucedem, envelhecendo e lamentando de tempos extraordinários que passaram: já não há líderes como este. Há e continuará a haver, em todos os tempos da história. Sempre raros, claro está.

A morte de Soares encerra uma era, escreveu-se no Expresso. Sim, encerra um período histórico em que o País contou com a influência determinante das figuras fundadoras e tutelares da democracia portuguesa: Soares, Alegre, Zenha, Cunhal, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Ramalho Eanes. Mas não estou hoje seguro que Soares seja a política do passado. Perguntava Henrique Monteiro: se fosse hoje, Soares teria alguma hipótese? Eu acho que sim. Não só acho que Soares teria hipóteses neste novo tempo como acho que um líder com as características de Soares se podem dar muito bem neste tempo.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)