Siga-nos

Perfil

Expresso

Soares: a revolução e a contrarrevolução necessárias

Novembro foi o fim necessário da festa. Necessário, porque a revolução se dirigia para um precipício que poria em risco grande parte das suas conquistas. Ou porque os comunistas as tornariam noutra coisa ou porque o revanchismo de direita faria o tempo andar para trás. É absurdo muitos comunistas guardarem rancor por Soares ter contribuído para travar um processo de degenerescência da revolução que seria inevitavelmente derrotada no extremo ocidental da Europa. Na realidade, o PCP pode agradecer o facto daquilo a que chamam contrarrevolução ter sido liderada por Soares e seus aliados e não, como queriam alguns políticos norte-americanos, pela direita autoritária, repetindo uma “pinochada” em Portugal. Foi isso que garantiu o papel que o PCP manteve na democracia portuguesa e que defendeu o fundamental do legado de abril. Mas talvez a minha maior divergência com os comunistas (e não só) em relação a este assunto comece por aqui: eu sou dos que acham que abril se cumpriu

Como momento fundador do regime, o período imediatamente posterior ao 25 de abril marcou a posição relativa de cada ator político quase até aos dias de hoje. O PCP foi derrotado e o PS foi o partido charneira que permitiu essa derrota. Na história que se conta esta divisão é clara. Mas nem sempre o foi. O PS ocupou, em parte do primeiro ano depois da revolução, o seu papel no processo de radicalização da vida política e social, apoiando nacionalizações e ocupações e terras e casas. É importante dizer isto para evitar simplificações políticas.

Seja como for, e sem esmiuçar o período louco, complexo e contraditório que vai de 25 de abril de 1974 a 25 de novembro de 1975, Soares acabou por liderar, a partir da Fonte Luminosa, o movimento contrarrevolucionário ou democratizador (depende de quem conta a história) contra os comunistas. E essa liderança marcaria definitivamente a história da política nacional. De tal forma que a “geringonça” foi um acontecimento histórico e improvável, mais de 40 anos depois da revolução.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)