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Renovação de votos

Os acordos à esquerda estão praticamente esgotados. Pode dizer-se que a geringonça é vítima do seu próprio sucesso. E isso deixa-a à deriva, sem rumo e sem objeto. Esta é a situação ideal para a multiplicação de pequenos conflitos, cada vez mais graves e incómodos. Já começou, com a PPP do Hospital de Cascais ou a redução da TSU para as empresas. É essencial que se definam novos limites e objetivos, para garantir a renovação dessa legitimidade e dar a todos os participantes um papel na geringonça. Caso contrário, o PS acabará por se limitar a querer cumprir o seu programa (que, recordo de novo, não saiu vitorioso nas últimas eleições), esperando a cada decisão um novo foco de oposição ou esticando a corda de cada vez que ele não surja, e o BE e o PCP afirmarão a sua utilidade pela negativa, transformando-se em partidos de oposição que aprovam orçamentos e barram a chegada da direita ao governo. Não me parece que esta situação venha a ser sustentável

A redução da TSU para as empresas e o lançamento de um concurso para uma nova PPP no Hospital de Cascais, sem que tal, segundo os estudos da Entidade Reguladora de Saúde, tenha qualquer vantagem na qualidade ou nos custos, são dois sinais de fricção entre o governo e os seus aliados parlamentares. Nos dois casos, os partidos à esquerda do Partido Socialista protestaram e deram sinais de querer recuperar a sua autonomia. No caso da Caixa Geral de Depósitos essa foi a postura do Bloco de Esquerda, muito mais do que o PCP.

Se o apoio dos partidos à esquerda acaba por ter a vantagem de pressionar o governo para só poder abrir concursos para PPP baseado em relatórios sólidos e garantias máximas ou a baixar a TSU apenas em troca do salário mínimo e por um período de um ano, é insustentável para eles a posição de mero fiscal moralizador. É verdade que BE e PCP não quiseram participar no governo. Mas essa escolha foi partilhada por todos os envolvidos, PS incluído.

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