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Centeno, o último a saber

Não sei se Centeno é aselha ou ingénuo. Provavelmente é as duas coisas. Com a falta de lealdade e de sentido de dever que António Domingues demonstrou até agora, era evidente que este pedido só serviria para este senhor fazer chegar à comunicação social a sua nega e, deselegância suprema, o SMS que enviou para ralhar com o ministro. Que Centeno se tenha lembrado de pedir favores a quem se julga merecedor deste mundo e do outro, a quem exigiu regimes de exceção, a quem se julgava acima da lei e de todos os outros gestores, apenas demonstra que o ministro das Finanças não nasceu para a política. Ser um bom avaliador de pessoas é uma das principais qualidades que se exige a um política. Centeno terá sido o último português a perceber que está perante um vaidoso compulsivo a quem a única coisa que interessa, para além do ordenado ao fim do mês, é o seu estatuto público?

António Domingues exigiu, para dirigir a Caixa Geral de Depósitos, um ordenado igual ao que recebia no BPI. É compreensível. Mas acumulou esse ordenado com a reforma do mesmo BPI. O que quer dizer que, na prática, a ida para a banca pública servia para aumentar substancialmente os seus rendimentos. É mais difícil de aceitar, mas se o homem achava que valia isso...

Antes de ocupar o cargo, Domingues exigiu que os gestores do banco não fossem equiparados a gestores públicos, não estando sujeitos aos mesmos limites e regras. Inaceitável, mas o problema foi de quem aceitou tão absurda condição. Chegado ao banco, os gestores por ele convidados recusaram-se a entregar a declaração que todos os titulares de cargos públicos, do deputado ao Presidente da República, do administrador ao presidente do conselho de administração, sempre aceitaram entregar.

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  • Domingues envia SMS a Centeno a lamentar comportamento das Finanças

    Ainda o dossiê Caixa Geral de Depósitos: António Domingues deixou o seu gabinete vago para Paulo Macedo no dia 23, na noite de 29 o ministro pediu-lhe que ficasse mais um mês, no dia seguinte Domingues disse que não. Esta segunda-feira, Domingues enviou um SMS a Centeno... Conheça a história de uma estranha passagem de ano

  • Se Mário Centeno fosse obrigado a colocar no Facebook como iam as suas relações com a Caixa Geral de Depósitos teria de utilizar aquela frase feita que anda muito por lá: “Numa relação complicada”. O caso é tanto mais estranho, uma vez que neste caso não foi a Caixa que exigiu a Centeno, mas este que decidiu tudo (ou quase) na Caixa. Sendo assim não se percebe por que motivo escolheu um homem que parece não respeitar e por que razão recorre outra vez a ele quando o novo ‘amor’ ainda não está disponível