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O ponto de ruptura dos serviços públicos, da geringonça e com a Europa

Tal como dizia o PS, era possível fazer diferente do que o Passos fez. Era possível negociar, esticar a corda e distribuir os sacrifícios de forma diferente. Mas não era possível, dentro dos limites impostos pela Europa e sem renegociação da dívida, fazer o oposto: aumentar bastante o investimento público, ter uma política de contraciclo que tivesse um efeito significativo no mercado interno e reforçar os serviços públicos. Nisso o Bloco e o PCP têm razão: sem ultrapassar a a fronteira que a Europa traçou dificilmente saímos da letargia em que estamos há mais de uma década. A Grécia, que viu as medidas de alívio da dívida suspensas por restituir aos pensionistas mais pobres o pagamento do 13.º mês dar um apoio às ilhas do Egeu que sofrem com a crise dos refugiados, mostra que o enfrentamento com a Europa é uma escolha de vida ou de morte. Ele pode vir a ser, para quem queira defender o Estado Social e até a democracia, inevitável. Só que não há condições políticas para levar esse confronto até ao fim. A oposição diz que Costa dá poucochinho. Neste momento, parece-me que dá o melhor que se consegue: algum alívio económico, social e político e algum tempo. Mas não é infinito. Como se consegue perceber pela situação de ruptura em vários serviços públicos

A semana passada a bastonária da Ordem dos Enfermeiros e antiga dirigente do PSD denunciou que num hospital houve pessoas que não foram alimentadas durante dois dias e também não receberam medicamentos. Terá apresentado o caso às autoridades competentes. Esta notícia vem somar-se a outras, em vários sectores, de que foi outro exemplo a greve de funcionários na Escola Secundária Pedro Nunes ou os adiamentos de cirurgias e tratamentos no IPO, que denunciam um estado de pré-ruptura dos serviços públicos.

Retiremos o lado da propaganda, que permite ao CDS o descaramento de falar em “obsessão pelo défice”, e assumamos que o cumprimento das metas europeias continua a ser garantido à custa da qualidade dos serviços prestados pelo Estado. Como não podia deixar de ser. Quando se diz que o pagamento da dívida tal qual ela está planeada e o cumprimento destas metas são incompatíveis com a manutenção do Estado Social não é uma figura de retórica. É isto a que estamos a assistir.

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  • Doentes dois dias sem comida e sem medicação em hospital português

    A bastonária da Ordem dos Enfermeiros não revela em que hospital ocorreu este caso, mas garante que é do conhecimento do conselho de administração. A denúncia de Ana Rita Cavaco foi feita durante um debate sobre os problemas do Serviço Nacional de Saúde, que juntou médicos e enfermeiros