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Machismo cria insegurança, insegurança cria segregação

É difícil compreender os que rasgam as suas vestes contra a liberdade das mulheres taparem o corpo ao mesmo tempo que se indignam com quem recusa a naturalidade do piropo no meio da rua. Não percebem que não há nada que mais promova a segregação do que o sentimento de insegurança. Se a mulher não se sente protegida dos abusos quererá proteger-se. Escondendo o corpo ou usando táxis só para elas, como está a acontecer no Brasil, e carruagens de comboio onde não possa ser importunada, como se propôs no Reino Unido e na Alemanha. A origem da segregação é o conservadorismo. Mas a relação não é exclusivamente direta. O que o conservadorismo faz é tratar a mulher como objeto. O que a segregação garante é a proteção disso mesmo. Não se impede a segregação voluntária proibindo-a, impede-se garantindo a segurança de todos (no caso, de todas) no uso da sua liberdade. Porque quando isso não está garantido são as próprias mulheres a desejar a segregação e a invisibilidade

Paula Cosme Pinto escreveu um bom texto, no site do Expresso, que me deixou com a pulga atrás da orelha. Ao que parece, foi criado no Brasil um serviço de táxis exclusivamente para mulheres. A frota da aplicação FemiTaxi é conduzida por mulheres e pretende ser uma alternativa segura para que as passageiras não sofram assédio e outras formas de pressão dos condutores. A Paula concentra-se no erro de substituir o direito a não ser incomodada pela segregação e recorda uma proposta que ela própria já tratara noutro texto, de carruagens de comboio só para mulheres no Reino Unido e na Alemanha.

Concordo com o argumento: a defesa da segurança das mulheres não pode ser feita através de um regresso ao passado. Porque, na realidade, garantindo a segurança daquela pessoa em concreto estas soluções aumentam a insegurança do conjunto das mulheres, tornando, numa sociedade segregada, cada vez mais perigoso para as mulheres andarem na rua ou misturarem-se com homens. Não é difícil perceber para onde isto nos leva.

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