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Quando Passos se julga caçador logo vira caça

Toda a novela do conselho de administração da CGD, dos seus salários e das suas declarações de rendimentos foi uma catástrofe para o governo. Só que, chegado ao fim desta aventura, o PSD voltou a não ter nada para dizer. Não tem plano B. E perante isto, teve mais olhos do que barriga. Manteve o tema no palco e o ricochete não foi agradável: durante seis meses, Albuquerque guardou na gaveta dois pareceres da Inspeção-Geral das Finanças relativos a relatórios trimestrais da comissão de auditoria da CGD e o governo só os despachou 15 dias antes das eleições. O problema é que Passos Coelho é ex-primeiro-ministro e líder da oposição. E decidiu manter como seu braço direito a antiga ministra das Finanças. Sempre que atacar o PS com qualquer coisa o PS desencantará outra que o embarace. Sempre que Passos se julgar caçador vira caça

Há seis meses que o PSD decidiu fazer da Caixa Geral de Depósitos a sua principal trincheira de combate político. Não a situação da economia, não a situação política, não a situação social. Concentrou-se na CGD e nunca mais saiu daí. Não hesitou em propor a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito em plena negociação em Bruxelas para a recapitalização do banco público. Este foi, aliás, o único momento realmente inaceitável. Não é antipatriótico a oposição fazer a vida negra a um governo. É natural e até saudável: sem uma oposição aguerrida não há um bom governo. Não se pode dizer o mesmo quando se tenta torpedear uma negociação do Estado português com instituições internacionais. E não é a primeira vez que Passos Coelho e o PSD o faz.

Fora isto, não se pode dizer que esta estratégia tenha corrido mal a Passos Coelho. Toda a novela do conselho de administração, dos seus salários e das suas declarações de rendimentos foi uma catástrofe para o governo e fragilizou bastante Mário Centeno, um ministro que António Costa não pode mesmo dispensar. Só que, chegado ao fim desta aventura, o PSD voltou a não ter nada para dizer. Não tem plano B. E perante isto, teve mais olhos do que barriga. Manteve o tema no palco mediático e quando António Costa falou, na entrevista da RTP, do tempo em que se empurrava os problemas da Caixa com a barriga o CDS e o PSD vieram a terreiro exigir documentos e provas. A ideia era manter a Caixa na berlinda. E o ricochete não foi agradável.

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