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Quando os embriões se julgam gente

Não me parece muito saudável que se permita que tratamentos de infertilidade se transformem num instrumento de capricho. Quem usa tratamentos de infertilidade usa-os para ter filhos, não os usa para guardar os filhos no cofre. Há limites na utilização das maravilhas do progresso. Os limites são a ética e do bom senso. Não me parece muito saudável que se permita que embriões interponham processos, exijam direitos e queiram heranças. Não é por acaso que todos nos rimos desta história: porque independentemente das convicções de cada um, todos intuímos que os embriões não são pessoas e não têm os direitos das pessoas. Há limites para as aberrações do conservadorismo. Os limites são a razoabilidade e do bom senso

Não há ninguém que não tenha acompanhado a estranha história de Sofia Vergara e do seu ex-companheiro. Uma clinica de tratamento de infertilidade tem à sua guarda dois embriões criopreservados da conhecida atriz e de Nick Loeb. Quando se separaram os dois terão acordado em não lhe dar uso sem mútuo consentimento. Mas Nick quer que estes sejam implantados numa barriga de aluguer para que Emma e Iabella (sim, têm nome) terem o direito a nascer. Na realidade, não se trata apenas de ter direito a nascer. Elas têm o direito, veja-se lá o materialismo destes embriões, a reclamar a herança, oriunda de um fundo criado pelos progenitores quando iniciaram o processo de fertilização. O advogado de Vergara diz que "esse material genético foi criado segundo um acordo escrito que exigia o consentimento por escrito de ambas as partes para tentar criar uma gravidez".

Nada disto faria grande sentido se não estivéssemos entre duas estrelas de Hollywood e nos Estados Unidos, onde qualquer disparate encontra guarida numa qualquer bizarria jurídica de um qualquer Estado. Neste caso, o pai que só quer o melhor para os seus embriões encontrou ajuda no Luisiana. Sendo um Estado que se diz pró-vida, Emma e Isabella têm identidade jurídica e são pessoas com direitos adquiridos. Assim sendo, os embriões puseram um processo à mãe para poderem nascer e afiambrar-se ao dinheiro. Que um embrião tem de pensar no seu futuro.

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