Siga-nos

Perfil

Expresso

Itália: se a normalidade democrática é um problema para o euro o euro é o problema

Não estando em causa a democracia, o estado de direito ou valores sejam tidos como fundamentais para a Europa, a ansiedade com que se viveu o referendo italiano é sinal de um problema da União e não de Itália. Tudo está assente em finas estacas e a manutenção do "status quo" parece implicar uma democracia de baixa intensidade. Não vejo nada de dramático na recusa das mudanças constitucionais propostas. É um momento normal em qualquer democracia. Não vejo nada de dramático na demissão de Matteo Renzi. É a consequência de um ato de chantagem sobre os eleitores. Se o euro e a União tremem perante cada sufrágio o problema não está no que em democracia é absolutamente natural. Está no euro e na União. Se a normalidade democrática dos Estados é um problema para o euro o euro é que é o problema

Ainda a Europa (e eu próprio) respirava de alívio com o resultado do primeiro round contra a extrema-direita (a Áustria, a que se seguirá Holanda e França) e, um dia depois, chegou o “não” às propostas de alterações constitucionais de Matteo Renzi e o anúncio da sua demissão do cargo de primeiro-ministro para depois da aprovação do Orçamento.

É possível concordar ou discordar das propostas de reforma constitucional de Matteo Renzi. É possível achar melhor reduzir o poder do Senado por considerar que ele bloqueia o processo legislativo – queixa igualmente comum em Washington, sem que ninguém alguma vez tenha dito que os EUA são ingovernáveis. Achar que, num país cuja unificação não é coisa um acontecimento assim tão distante, se deve reduzir o poder das autoridades regionais. Defender mais uma alteração do sistema eleitoral para reduzir um pouco mais a proporcionalidade, na esperança de resolver na secretaria o que a desacreditada classe política italiana não consegue nas urnas. O que não se pode dizer é que a recusa destas alterações é populista ou antidemocrática. Pelo contrário, há excelentes argumentos democráticos e antipopulistas contra os intentos do primeiro-ministro. Antidemocrático foi Renzi tentar transformar este referendo num plebiscito. Tentativa que pagou bem cara, com uma pesada derrota nas urnas.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)