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António Domingues, o homem que julgava pairar sobre o mundo

O que terá incomodado Domingues é a descoberta de que as empresas do Estado respondem perante o Estado. E o sinal que encontrou disso mesmo não foi qualquer intervenção indevida na vida interna do banco, como as que já tantas vezes aconteceram como bloco central. Foi a aprovação de uma lei que reafirma a ilegalidade de qualquer tratamento de exceção para os administradores da Caixa. O incómodo de Domingues é coerente com as exigências pouco razoáveis que fez para aceitar o lugar. Acha que é tão bom que a lei não se lhe deve aplicar e tão extraordinário que os deputados devem suspender as suas funções quando ele e os seus administradores estiverem em causa. Disse-se que António Domingues era o melhor. Mas alguém que, em tão pouco tempo, criou tantos problemas, fez tantas exigências e demonstrou tão pouca falta de talento a lidar com os mais banais inconvenientes que surgem a quem gere a coisa pública está muito longe de ser a melhor escolha para dirigir a CGD. A delirante arrogância de António Domingues não isenta de culpas quem o convidou e lhe ofereceu o que não podia oferecer. Mas é uma boa lição para quem julga que para ser um bom gestor público bastam qualidades técnicas específicas

Começo como nenhum colunista deve começar um texto: aquilo sobre o qual vou escrever tem, se olharmos para os tempos que estamos a viver, pouca importância. Perante as tremendas mudanças a que estamos a assistir no mundo e na Europa, perante a vitória de Trump, uma segunda volta entre Le Pen e Fillon em França, o Brexit, o beco sem saída da União Europeia e a situação de Portugal no meio de tudo isto, os incómodos do senhor António Domingues são tão minúsculos como (começo a suspeitar) ele próprio. Para nós, para a nossa dimensão, a saúde do maior banco nacional, por sinal público, é um assunto relevante. A sua recapitalização também. Domingues e a declaração de rendimentos dos seus administradores? Cansam-me.

Acontece que António Domingues, por responsabilidade dele e de quem se comprometeu com o que não devia, paralisou, com os seus provincianos melodramas, o maior banco nacional, pondo com isso todo o nosso sistema financeiro nacional em perigo. E por isso não podemos fugir do tema.

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