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Passos é passado. Segue-se um Trump suave?

Passos Coelho só pode oferecer ao País a conversa do Diabo e a conversa do Diabo impede o PSD de passar para outra fase e começar a falar do futuro e do presente em vez do passado, de fazer propostas em vez de agoirar. Enquanto o PSD não mudar de liderança a geringonça está segura. Se não quiser regressar a uma matriz mais social-democrata ou manter-se na linha radical liberal, o PSD pode ir com a onda do momento e optar por uma liderança de recorte autoritário. Rui Rio seria uma espécie de Trump suave que, apesar da sua relação tensa com a democracia e com a liberdade, daria resposta ao mal-estar ainda dentro do sistema. De todas, parece-me a mais provável. E quanto menos houver para atacar na estratégia económica do governo mais sobrará para os temas de que Rio gosta. Há apenas um pormenor: falta a Rui Rio a determinação de Trump. O estilo autoritário não casa bem com o de quem espera sempre que alguém o leve no andor

A facada dada por Marcelo Rebelo de Sousa a Pedro Passos Coelho não resulta apenas da conhecida malícia do Presidente. Nem sequer da antipatia que os dois políticos nutrem um pelo outro. Nem é apenas uma vingança contra o homem que achou excelente ideia, num sinal de infantil arrogância, insultar numa resolução política do Congresso o muito provável candidato à Presidência que viria a ser obrigado a apoiar, quando ainda era primeiro-ministro. Ela também representa a convicção de que Passos Coelho é hoje um problema para a direita e para o PSD.

A responsabilidade é mais das circunstâncias do que do próprio. Passos foi o primeiro líder a ver o seu partido à frente com uma maioria do lado político oposto e quando as condições para uma bloco central eram, isso por responsabilidade sua, impossíveis. Estas circunstâncias inéditas foram responsáveis por consequências inéditas: o líder do principal partido da oposição é também o último primeiro-ministro.

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