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A França vai à frente

Foi em França que a extrema-direita entrou primeiro no grupo dos grandes. Foi em França que, através da filha de Le Pen, procurou os mínimos de “respeitabilidade”. E é em França que toda a esquerda está a ser dizimada. É provável que todos os eleitores de esquerda, dos mais centristas aos comunistas, sejam obrigados a escolher entre um admirador de Thatcher e uma candidata de extrema-direita. Foram impressionantes os ataques a direitos sociais e até democráticos levados a cabo pelos socialistas franceses nos últimos anos. A direita teria dificuldade em chegar tão longe com tão pouca oposição. E os que estão à esquerda do PSF não conseguiram liderar a contestação a este desvario. O preço do travestismo político dos socialistas não foi apenas a morte dos socialistas. Foi o desaparecimento da esquerda do debate político. O resultado está à vista com confirmação de que Trump não foi um acidente

Afinal o centrista e moderado Alan Juppé não ficou em primeiro nas primárias da direita francesa. Irá a uma segunda volta com François Fillon, um conservador próximo dos movimentos católicos que se opuseram à legalização dos casamento entre pessoas do mesmo sexo e que demonstraram grande capacidade de mobilização nas ruas, que em 2014 declarou ter Margaret Thatcher como seu modelo e que ficou muito à frente dos seus opositores. É muito difícil Fillon não ganhar à segunda volta das primárias: porque a dinâmica de vitória é evidente, porque tem o apoio de Nicolas Sarkozy e porque os eleitores de esquerda que foram votar para derrotar Sarkozy já não se mobilizarão com o mesmo empenho por Juppé.

A saída da corrida de Nicolas Sarkozy é uma má notícia para Marine Le Pen. Sarkozy propunha-se vencer Le Pen ccopiando o seu discurso. E, por isso, não teria capacidade de recolher, numa segunda volta das presidenciais, o voto da esquerda. E ainda por cima teria de lidar com o seu envolvimento em vários casos de corrupção.

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  • Nem os portugueses salvaram Nicolas Sarkozy

    Com a sua derrota clara na primeira volta das primárias da direita e do centro, o antigo Presidente chegou ao fim da sua carreira política. Nicolas Sarkozy tentou tudo para ganhar e fez campanha em todo o lado. Por exemplo, foi o único dos sete candidatos que foi à rádio portuguesa de Paris, para, numa entrevista, tentar conquistar o voto de centenas de milhares de portugueses com a dupla nacionalidade ou franceses de origem lusa. Ficou em 3.º lugar, largamente atrás de François Fillon e Alain Juppé

  • Mais uma vitória inesperada, mais umas sondagens totalmente enganadoras e mais algumas lições que se podem tirar deste fim de semana em que Fillon, inesperadamente venceu as primárias do centro-direita francês, ditando o fim político de Sarkozy, e em que Angela Merkel decidiu apresentar-se a um quarto mandato como chefe do Governo alemão