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Socorro, um negacionista na Casa Branca!

Reduzir a dependência dos norte-americanos de combustíveis fósseis implica uma revolução sem precedentes. O funcionamento da sociedade norte-americana, da organização das suas cidades à economia, das suas comunicações e infraestruturas à mobilidade dos trabalhadores e das famílias, depende do combustível barato. Só um líder político absolutamente empenhado pode tentar, e ainda assim com enormes dificuldades, mudar a mentalidade do país para salvar o planeta, os humanos que nele habitam e, já agora, os cidadãos que representa. Se não houver uma mudança radical chegaremos, em poucas décadas, a um ponto de não-retorno. Ter à frente do país mais poderosos do mundo, o segundo que mais contribuiu para o problema e um dos que menos faz para o resolver alguém que ainda nega a existência das alterações climáticas poderá significar um recuo de uma década ou, pelo menos, ficar tudo parado mais cinco ou dez anos. É um crime contra todos nós, contra os nossos filhos, netos e todas as gerações que nos sucederão

Donald Trump é obviamente perigoso. É perigoso pelo seu discurso de ódio que irá alimentar todas as tensões raciais num país que nunca verdadeiramente as resolveu. É perigoso porque defende os privilégios dos fortes acicatando o preconceito dos fracos contra os miseráveis. É perigoso porque depende de inimigos internos e externos para sobreviver. É perigoso porque aposta num discurso identitário que criminaliza uma parte do país. E é perigoso porque é absolutamente ignorante em relação ao mundo e, tal como Bush, entregará esse enorme poder a quem não foi eleito. É perigoso porque suspeito que compensará a frustração por promessas por cumprir com medidas securitárias e cedências ao fanatismo religioso. É perigoso porque o move apenas a vaidade e não qualquer programa político. É perigoso porque, simulando que se opõe ao sistema, representa o pior do sistema.

Mas se tivesse de selecionar o maior perigo que Trump significa para todos nós escolheria o facto de negar as alterações climáticas e o papel que os humanos têm neste fenómenos. Na Europa, os negacionistas de uma tão esmagadora evidência científica (haverá poucas que reúnam tamanho consenso entre os estudiosos) são muito poucos. Em Portugal, só me recordo do meu colega colunista Henrique Raposo, que, aqui no Expresso, lamentou que a arrogância iluminista e antropocêntrica se centrasse nos humanos e ignorasse o papel dos vulcões, do sol e de Deus nas alterações climáticas. Mas nos Estados Unidos, graças a uma campanha desenvolvida pela Fox News e por porta-vozes avençados de quem está disposto a destruir o futuro da humanidade em nome do lucro imediato, continua a haver muitas resistências a uma política que reduza a absoluta dependência dos EUA em relação aos combustíveis fósseis.

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