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O Estado mínimo chegou ao Pedro Nunes

Não há pior do que o burocrata liberal. Como deseja a redução do Estado ao mínimo, não se preocupa com a racionalidade das decisões que toma. Sendo para destruir, tanto faz. A estúpida regra de que só entra um funcionário público por cada dois que saem resultou, antes de tudo, no envelhecimento médio dos funcionários públicos. O que quer dizer que o Estado passou a modernizar-se mais lentamente do que a sociedade. Aumentou a contratação externa, o que quer dizer que muitas empresas ganharam com o negócio mas o contribuinte nem por isso. E recorreu-se a expedientes imorais como os Contratos Emprego-Inserção. Se continuar este caminho, o Estado tem duas possibilidades: ou reduz as funções do Estado ou deixa degradar os serviços públicos. Reduzir as funções do Estado significa, para o que é relevante e está fora das funções de soberania, tirá-lo da saúde, da educação ou da segurança social. Ou retirar a classe média da cobertura destes serviços. Não o fazendo e continuando a reduzir a capacidade de contratação do Estado o resultado é a ruptura dos serviços. Se não gostamos temos de questionar a receita. A política é feita de escolhas. E as escolhas são nossas, não são dos políticos

Há umas semanas, na Escola Secundária Pedro Nunes, liceu onde estudei na minha adolescência, o pessoal não docente entrou em greve. Estive para escrever sobre o assunto mas polémicas menores acabaram por me desviar do tema. Não passa de hoje.

Confesso que, tendo em conta a minha memória de quase único “comuna” numa escola muito conservadora, até me custa imaginá-la paralisada por uma greve. Mas a razão foi mais do que correta: desde 2010, altura em que houve uma remodelações, já se reformaram dez pessoas e só entrou uma. O Pedro Nunes, sendo uma escola do centro da cidade numa zona socialmente mais favorecida, tem uma capacidade de se fazer ouvir maior do que escolas de fora das grandes cidades ou de zonas pobres da periferia. Mas isto está a repetir-se em muito mais lugares. E não só em escolas. Os serviços públicos estão a entrar em colapso.

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    O problema da falta de assistentes operacionais arrasta-se desde o início do ano letivo. Já houve escolas a fechar, outras estão a cortar no horário dos serviços. Esta terça-feira, foram os próprios funcionários da Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, a protestar, levando ao encerramento da escola. O reforço anunciado pelo Ministério não chega, avisam diretores e sindicatos